Morreu Clara Pinto Correia. Bióloga e escritora "que não deixou ninguém indiferente" tinha 65 anos

Clara Pinto Correia numa das últimas entrevistas a propósito do lançamento do livro "Antares"
Captura de ecrã/Mesa para dois
A escritora e bióloga de 65 anos, autora de romances como "Adeus Princesa" e obra de divulgação científica como "Os Bebés-Proveta", "Clonai e Multiplicai-vos" e "O Ovário de Eva" terá sido encontrada morta na sua residência, em Estremoz. Afastada dos holofotes há muitos anos, Clara Pinto Correia revelou que conseguiu ultrapassar essa fase por "continuar a fazer o que gostava".
Afastada da vida pública, a escritora e bióloga Clara Pinto Correia, que morreu aos 65 anos, deixa vasta obra no romance, na divulgação científica e na literatura infantil.
Em nota publicada na Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa fala de uma mulher "que não deixou nunca ninguém indiferente". "Juntava a alegria de viver, uma inteligência e um brilho que se expressaram na intervenção oral e escrita, no magistério científico e na comunicação com os outros", lê-se na mensagem de pesar.
Segundo está a ser avançado pela imprensa, a bióloga, cujo último livro publicado foi Antares, em junho do ano passado, terá sido encontrada em casa, em Estremoz. Não foram, ainda, contudo, reveladas as causas.
Numa das últimas entrevistas que concedeu, ao programa Mesa para Dois, a escritora falou do anonimato a que foi votada após as polémicas que protagonizou. "Lembro-me do dia em que estava sentada com várias pessoas minhas amigas, ali no café na praia da Adraga, Almoçageme, e comecei a ter uma sensação estranhíssima, eu própria estava olhar para mim e, quando olhei melhor, eram jornais que estavam por todo o lado, revistas com aquelas infames fotografias na capa, coisa que não sabia que ia acontecer. Apanhou-me completamente de surpresa", revelou. Ultrapassar esta fase não foi fácil e só possível por "continuar a fazer o que se gostava". "Nunca mais te lembres na pessoa que eras porque, se pensares nisso, enlouqueces. A partir daí é apertar o cinto com força, cantar, caminhar, caminhar muito, respirar fundo e continuar a trabalhar nas coisas que te dão prazer", revelava em entrevista a João Gobern, em novembro do ano passado. E concluiu: "90% dos portugueses deixou de falar comigo e todas as pessoas que eu não conhecia começavam a olhar para o outro lado quando eu passava na rua."
Com vasta obra publicada, destaque para o sucesso editorial Adeus Princesa, romance adaptado para o cinema lançado pouco tempo depois da sua estreia literária, em 1984. Posteriormente, foi autora de títulos de divulgação científica como Os Bebés-Proveta, Clonai e Multiplicai-vos e O Ovário de Eva. Destaque ainda para obras como Ponto Pé de Flor e Mais que Perfeito e, na literatura infantil, Quem Tem Medo Compra um Cão, A Minha Alma Está Parva e A Ilha dos Pássaros Doidos.

