
Estima-se que oito em cada dez doentes com enxaquecas têm crises superiores a quatro dias
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Estudo multinacional com mais de 41 mil pessoas, mulheres e homens, oriundas de 18 países, indica que as dores de cabeça são mais prolongadas no sexo feminino. Não só elas já têm maior propensão como passam mais tempo a padecer delas.
Investigadores procuraram estudar a prevalência e a duração média das dores de cabeça e concluíram, em estudo publicado em dezembro de 2025, queas mulheres sofrem o dobro dos homens com as enxaquecas devido a períodos mais longos. Se elas já reportaravm maior número, verifica-se agora o dobro da duração.
Esta nova investigação trouxe à luz uma maior "diferença entre os sexos" no que diz respeito à "perda de saúde". "São 739,9 anos vividos com incapacidade por cem mil habitantes, mais do dobro da perda de saúde entre os homens, 346,1 anos por cem mil habitantes", lê-se no artigo publicado na revista científica The Lancet. De acordo com os investigadores, "este estudo também indicou que essas perdas de saúde seriam bastante reduzidas evitando o consumo excessivo de medicamentos agudos, uma vez que mais de 50% das perdas de saúde atribuídas à cefaleia do tipo tensional e mais de 15% atribuídas à enxaqueca foram na verdade devidas à cefaleia por uso excessivo de medicamentos", indica o estudo.
Ao detalhe, os investigadores indicam que "as mulheres passaram consistentemente mais tempo com dor de cabeça em todas as faixas etárias e definições de caso do que os homens". No caso da enxaqueca definitiva, o tempo com a patologia "aumentou constantemente com a idade", sendo que nas mulheres cresceu dos 9,30% abaixo dos 35 anos para uma taxa de 12,77% acima dos 50 anos ou mais, refere a análise que pode ser consultada no original aqui.
Numa análise em que os investigadores pedem estudos mais detalhados para encontrar as causas que empurram tantas mulheres para este estado de saúde, são avançadas algumas hipóteses de análise. Se a flutuação de estrogénio é um dos fatores que tem vindo a ser estudado ao longo de décadas, com a perimenopausa e menopausa a trazerem riscos de incidência acrescidos, os analistas consideram que esse pode ser apenas um fator, estando em investigação outros.
Estima-se que, em Portugal, a enxaqueca atinja, em média, uma em cada cinco mulheres. Estudo nacional da MiGRA- Associação de Doentes com Enxaqueca e Cefaleias indica que "93% das pessoas (mais de nove em cada dez) se sentem incompreendidas e 74% afirmam sentir falta de compreensão até por parte de profissionais de saúde". Quase oito em cada dez doentes (79%) "têm crises com duração superior a quatro dias por mês", "14% vivem mais de metade do mês com dor e 5% sofrem-na diariamente", afirmou a entidade em agosto de 2025.

