Quatro aspetos a que as crianças prestam especial atenção e que os adultos nem notam

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Os mais novos estão sempre a captar informação à volta deles, sobretudo de quem lhes é mais próximo. Mas há detalhes a que eles estão especialmente atentos e que escapam aos olhos dos crescidos, mas não deviam. Saiba o que está em causa e porquê.
A atenção e o foco das crianças não fica em sentido apenas quando os crescidos fazem a chamada. Os mais pequenos estão sempre a recolher informação e fazem-na nos mais pequenos gestos que os adultos cumprem no seu dia-a-dia. Seja à mesa ou numa simples conversa na sala, os miúdos aprendem - e muito - sobre a vida, podendo daí extrair bons e maus exemplos para as vidas deles e para o futuro.
Conheça os aspectos a que eles estão particularmente atentos e que escapam muitas vezes ao radar dos progenitores ou cuidadores, mas não deviam. O site norte-americamo HuffPost destaca quatro deles e vão desde as relações interpessoais até ao relacionamento com o corpo e a comida.
A forma como trata o cônjuge: A psicóloga clínica Jazmine McCoy sublinha ao site que os mais pequenos conseguem, inclusivamente, captar detalhes não verbais. Para lá das palavras críticas ou negativas, eles prestam atenção a gestos e reações como um revirar de olhos ou um silêncio inconveniente. "As crianças percebem estas dinâmicas, por isso procure dar o seu melhor para falar bem dos outros pais e cuidadores", avisa a especialista, considerando que tal ajuda os mais pequenos a sentirem-se seguros e cuidados.
Relação com o corpo e a comida: A inseguranças e a forma como fala da sua própria fisionomia e a dos outros deixa marcas nos mais novos. "Eles aprendem o que é considerado bom e mau, desejável e indesejável", refere a nutricionista Alyssa Miller ao HuffPost. O mesmo acontece com a comida. Rotular os alimentos como bons e maus, "saltar refeições ou mostrar culpa por comer são comportamentos observados e internalizados pelas crianças", acrescenta. "As pesquisas indicam que que os filhos tendem a comer o que os pais comem", pelo que "uma atitude positiva e equilibrada promovem uma boa relação com a comida".
O que valoriza: Um estudo recente extrapolou, a partir de testes de laboratório, que pais fisicamente treinados apresentavam uma adaptabilidade intrínseca ao exercício e parâmetros metabólicos aprimorados em comparação com aqueles com pais sedentários e que tal se verificava na genética. A par desta descoberta, o exemplo rotineiro para o desporto deixa as suas marcas. "As crianças valorizam o que os pais valorizam com base no que fazem e no que dizem", refere a psicóloga Laura Markham. Mas lembra que a inocente pergunta sobre "quem ganhou", ignorando os valores do trabalho em equipa também pode deixar marcas, não tão boas quanto deviam.
A forma como lida com o próprio erro: A severidade e a permissividade que usa para resolver um problema que tenha criado vai deixar marcas nos filhos. Perfecionismo ou relativização vão focar impressas na memória. "Muitas pessoas que não têm autocompaixão ou são duras consigo mesmas de forma inadvertida ensinam as crianças a serem críticas e duras com elas próprias", alerta a psicóloga. Por outro lado, "os que admitem e superam os erros deixam marcas de resiliência e de oportunidade de aprendizagem".

