
LinkedIN/Inês Bichão
A advogada e consultora jurídica de 30 anos Inês Bichão acusou João Cotrim Figueiredo de assédio sexual quando trabalhavam na Assembleia da República. O candidato presidencial nega e garante que vai avançar para tribunal.
Atualmente a trabalhar no gabinete do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Inês Bichão saltou parao espaço público na sequência de uma denúncia publicada nas suas redes sociais e na qual acusava João Cotrim Figueiredo de assédio sexual.
A advogada e consultora jurídica, de 30 anos, expôs, na segunda-feira, 12 de janeiro, detalhes de práticas do então líder da IL e quando trabalharam juntos na Assembleia da República com Inês Bichão como assessora da bancada liberal. "Nunca vou esquecer as várias vezes em que bloqueei quando me disse 'Excelente trabalho, só falta abrires as pernas comigo', 'De que tipo de homens gostas?', 'Mais grossa ou mais comprida?'", lia-se na mensagem, entretanto apagada.
Confrontado com esta denúncia, o candidato presidencial nega as acusações e avançou que iria agir contra a antiga assessora por difamação.
Inês Bichão, de 30 anos, é licenciada em Direito pela Universidade de Lisboa, num curso concluído em 2017. Prosseguiu para pós-graduações tendo concluído duas nesse mesmo ano: em Direito da Concorrência e Regulação e em Teoria e Prática do Contencioso Administrativo, ambas da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. No ano seguinte, fez nova pós-graduação em Contratação Pública pela Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa.
Natural de Viseu, Inês Bichão é mestre em Direito Administrativo pela Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa e doutoranda em Ciências Jurídico-Políticas, especialização em Direito da União Europeia, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (em curso desde 2022). Premiada com o galardão Jacques Delors em Direito da União Europeia em 2024, a consultora e adjunta do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas publicou obras como O ato administrativo desconforme ao Direito da União Europeia e, em maio deste ano, O Lóbi como um Desafio Constitucional Multinível - O elefante na sala dos poderes públicos?
Foi advogada, assessora parlamentar na Assembleia da República em 2022 e 2023 e, em 2025, técnica especialista no Gabinete do Secretário de Estado do Ambiente do XXIV Governo Constitucional, tendo recebido louvor publicado em Diário da República pelo então secretário de Estado, Emídio Sousa. Agora, Inês Bichão prossegue como adjunta deste mesmo responsável mas agora na pasta das Comunidades Portuguesas.
Na denúncia que foi feita, lê-se que "reconheço inteligência e competência ao João (e procuro sempre rebater alguém pelas suas ideias), não tanto quanto a propalada, por não lhe conhecer um projeto de lei que tenha redigido".
"Não vou esquecer o que acontece às pessoas que não fazem o que ele [João Cotrim Figueiredo] quer ou que pensam diferente de si. E dos telefonemas que faz logo a seguir para minar propostas de trabalho", referia o mesmo post. "Que me acuse daquilo que quiser, se tiver ponta por onde pegar. Calada estive eu e assim vou continuar, porque não merece que a minha vida seja prejudicada por aquilo que ele fez. Não suporto a ideia de o ver em Belém, com o Octávio, com o Bernardo e com o Ricardo [elementos do partido IL]."
Apoio a Inês Bichão
Ao final de terça-feira, 13 de janeiro, as autoras do livro #Me Too - Um Segredo Muito Público - Assédio sexual em Portugal" usaram as redes sociais para demonstrarem apoio a mulheres que denunciam situações de violência sexista, referindo-se em concreto ao caso de Inês Bichão, cujas alegações de assédio chegaram há quase dois anos. "No dia 13 de junho de 2024, quando apresentámos o nosso livro Metoo, um segredo muito público. Assédio sexual em Portugal na Feira do Livro de Lisboa, uma mulher jovem veio ter com uma de nós e contou como estava a passar uma fase difícil da sua vida devido às situações de assédio sexual de que era alvo por alguém muito influente na IL. Ontem soubemos o nome dessa mulher quando a sua fotografia surgiu na comunicação social. Essa jovem mulher era Inês Bichão", escreveram Maria João Faustino, Júlia Garraio, Maria João Faustino, Rita Santos e Sílvia Roque.
Na mesma nota vincam que "a acusação de assédio que ontem foi noticiada não é uma efabulação de pré-campanha; há, pelo menos, quase dois anos que ela foi feita a uma de nós em tom de confidência" "Por isso, e porque as reações à denúncia de Inês Bichão sugerem mais um caso de linchamento mediático de uma mulher que denunciou assédio por parte de um homem poderoso, sentimos que é nossa obrigação intervir no debate", escreveram.
Também nessa manhã de terça-feira, trinta mulheres assinaram carta aberta a favor de Cotrim de Figueiredo afirmando que nunca tiveram qualquer problema em trabalhar com o agora candidato presidencial. Uma inciativa que chegou no mesmo dia em que o jornal Observador dava conta de que as "alegações de assédio" eram já conhecidas dentro do partido "há dois anos". Uma informação que não gerou desmentido por parte do partido.
Nesta quarta-feira, 14 de janeiro, e a partir de Monstemo-o-Velho, João Cotrim de Figueiredo afirmou que desconhecia as alegações de assédio por parte da ex-assessora da IL. "Eu não tinha conhecimento de nenhuma daquelas situações que foram relatadas, elas não correspondem à verdade, são completamente falsas, não tinha conhecimento", afirmou.
[Notícia atualizada]
