
Enfermeiros protestam contra banco de horas, e contra a proposta de acordo coletivo de trabalho do Governo, durante uma manifestação no primeiro dia de greve convocada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), frente ao Ministério da Saúde, em Lisboa, 17 de outubro de 2025. RODRIGO ANTUNES/LUSA
Foto: Rodrigo Antunes / Lusa
"O emprego tem aumentado, mas à sobretudo à custa dos vínculos precários, com sete em cada dez trabalhadores a encontrar emprego através de contratos não permanentes", aponta o estudo elaborado pela Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens da CGTP, para assinalar a semana da igualdade e o Dia Internacional da Mulher.
Quase 570 mil mulheres trabalhadoras em Portugal tinham vínculos precários em 2024, o equivalente a 25,6% do total, sendo que a situação agrava-se entre as jovens trabalhadoras com a taxa a ser superior a 50%, conclui um estudo da CGTP.
"O emprego tem aumentado, mas à sobretudo à custa dos vínculos precários, com sete em cada dez trabalhadores a encontrar emprego através de contratos não permanentes", aponta o estudo elaborado pela Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens da CGTP, para assinalar a semana da igualdade e o Dia Internacional da Mulher.
No que toca especificamente à força de trabalho feminina, 569,1 mil mulheres trabalhadoras em Portugal tinham vínculos precários em 2024, o equivalente a 25,6% das 2.223,3 mil trabalhadoras.
Segundo a análise da CGTP, Portugal é "o segundo país da União Europeia em que mais se recorre a vínculos precários", sendo que em 2024 as mulheres representavam "45% dos trabalhadores com vínculos precários em Portugal".
Das cerca de 570 mil mulheres com vínculos precários em 2024, a maioria (449,3 mil) diziam respeito a contratos a termo no setor privado e setor empresarial do Estado (SEE), enquanto 50,5 mil referiam-se a contratos a termo na Administração Pública e os restantes 69,3 mil a "falsas prestações de serviço e outros no total dos setores", segundo a análise da central sindical, através do cruzamento de dados do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público e do Instituto Nacional de Estatística.
Por outro lado, e com base nos dados divulgados pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional referentes a dezembro, a intersindical indica ainda que mais de metade (55%) dos desempregados que se registaram nos centros de emprego "fizeram-no porque o seu contrato a prazo acabou".
Perante esta análise, a CGTP alerta que a precariedade "tem consequências profundamente negativas na vida das trabalhadoras e trabalhadores - traduzindo-se em menores salários, insegurança, menor investimento das empresas em formação profissional, intimidações e chantagens, maiores ritmos de trabalho, etc. - assim como sobre a economia e o desenvolvimento do país, além de constituir a principal causa de desemprego".
Este é o segundo estudo divulgado pela CGTP sobre a situação atual da mulher no trabalho, no âmbito da semana da igualdade.
O primeiro foi dedicado aos salários e constatava que quase 60% das mulheres trabalhadoras em Portugal recebia uma remuneração base até 1.000 euros brutos em novembro de 2025, sendo que destas uma em cada cinco ganhava o salário mínimo nacional.
A CGTP realiza a semana da igualdade entre 02 e 08 de março com o lema "A Igualdade que Abril abriu. Reforçar Direitos. Cumprir a Constituição", com iniciativas no país.
O Dia Internacional da Mulher comemora-se em 08 de março.
