Quase três em dez portuguesas adiam rastreio do cancro do colo do útero por razões laborais

Cientistas britânicos descobrem que sessões adicionais de quimioterapia podem ajudar a descobrir a cura para o cancro do cólo do útero
Foto: Loic Venance / AFP
Mulheres portuguesas são as que mais protelam datas de consultas de rastreio de cancro de colo do útero devido ao trabalho. Estudo realizado em território nacional, Bélgica, Itália, Holanda,Polónia e Espanha coloca as portuguesas como recordistas neste adiamento ou mesmo anulação da consulta.
Estudo feito junto de mais de cinco mil mulheres com idades entre os 16 e os 64 anos, quase 900 das quais em Portugal, revela as razões que as levam a adiar ou cancelar consultas para retardar o cancro do colo do útero, sendo que a existência previa e HPV pode ser um fator determinante no desenvolvimento da doença. A análise revelou que "as pessoas que efetivamente adiaram as suas consultas foi em Portugal, sendo os compromissos profissionais o argumento usado por 28%, um valor superior à média dos outros países", lê-se no comunicado que acompanha o estudo Cervical Cancer Europe Study 2025.
Ao detalhe, as conclusões da análise indicam "a necessidade de maior flexibilidade no local de trabalho, uma vez que 76% das mulheres que atrasaram a consulta de rastreio trabalham a tempo inteiro e 28% dizem-se sobrecarregadas, o que evidencia a necessidade de maior flexibilidade no local de trabalho, pedida por 23% de todas as mulheres inquiridas", indica a mesma nota.
"Eliminar o cancro do colo do útero é possível, mas apenas através de uma ação coletiva", afirma o diretor-Geral da Roche Diagnósticos em Portugal. Roel Meeusen considera que esta "iniciativa procura sensibilizar para a importância de reduzir as barreiras ao acesso, normalizar as conversas sobre saúde e rastreio do cancro do colo do útero e permitir que mais pessoas elegíveis participem nos seus exames de rotina".
Tratando-se de um cancro que afeta mais de 600 mil mulheres em todo o mundo e o segundo tumor maligno mais previamente nas portuguesas, com cerca de 500 casos identificados todos os anos, estudo considera que "um processo de marcação de consulta mais fácil ou conveniente (33%), uma melhor comunicação por parte dos profissionais de saúde (32%) ou opções alternativas de rastreio, como a auto-colheita vaginal para o teste de rastreio (25%)" poderiam ajudar a combater o absentismo das consulta.

