
Arthur Cabral festeja com Gonçalo Guedes e Rafa o golo decisivo em Salzburgo
Kerstin Joensson / AFP
Nos espaço de poucos dias, o avançado brasileiro viveu o ponto mais baixo e o ponto mais alto desde que chegou à Luz. Golo decisivo em Salzburgo pode ser ponto de viragem.
Os primeiros meses de Arthur Cabral de águia ao peito (ainda) estão longe de confirmar as expectativas depositadas no ex-jogador da Fiorentina, contratado por vários milhões para fazer esquecer Gonçalo Ramos. Até ontem, terça-feira, tinha marcado apenas dois golos (em 16 jogos), nenhum deles transcendente nem decisivo. Até começou a época a titular, mas também esse estatuto se foi evaporando, numa perda de protagonismo que até o relegou para o último lugar da hierarquia dos pontas de lança que fazem parte do plantel benfiquista, atrás de Petar Musa e Tengstedt.
Mas as coisas ainda podiam piorar. Após o jogo com o Farense, na passada sexta-feira, Arthur Cabral também foi infeliz fora do campo e o pirete que dedicou a alguns adeptos, na garagem do Estádio da Luz, como resposta à contestação popular, parecia ser o tal ponto de não retorno e o sinal inequívoco de que a sua passagem pelo Benfica estaria destinada a ser fugaz e fracassada. “Um erro de casting”, defendem muitos.
Só que é de futebol que estamos a falar, da atividade onde mais depressa se passa de besta a bestial, onde a memória é curta. E hoje está outra vez de pé a possibilidade de Arthur Cabral, avesso a tatuagens, aos brincos, ao álcool e a saídas noturnas, ainda vir a ter algum protagonismo na Luz, uma espécie de redenção que faça dele um reforço importante para a segunda metade da temporada. Através das redes sociais, desculpou-se pelo gesto feio que ainda o queimou mais junto da massa adepta benfiquista, mas a desculpa que conta aconteceu em Salzburgo.
Lançado por Roger Schmidt já na altura do desespero, o avançado, de 25 anos, marcou, de calcanhar, na primeira vez que tocou na bola e garantiu a continuidade das águias nas competições europeias (1-3), a partir de agora na Liga Europa, graças à vantagem no confronto direto com o campeão austríaco. “Salvador”. Foi o primeiro golo dele na Liga dos Campeões. O festejo foi a preceito, misturou raiva, alívio e alegria. Foi efusivamente cumprimentado pelos colegas e o treinador confia que tudo seja diferente daqui para a frente. “Talvez este golo seja um recomeço para ele. Estou feliz por ele, é ser humano muito bom, bom rapaz, muito emocional, bom ponta de lança”, salientou o alemão que comanda os encarnados.
Com o golo na Red Bull Arena, Arthur Cabral manteve o Benfica vivo nas competições europeias e, possivelmente, renasceu para ainda tentar justificar os quase 20 milhões de euros que o clube investiu na sua contratação.
