
José Mourinho, treinador do Benfica
Foto: Hugo Delgado/EPA
José Mourinho fez esta terça-feira o lançamento da deslocação ao terreno do F. C. Porto, no Dragão, a contar para os quartos de final da Taça de Portugal, defendendo que vai ser "um jogo diferente" do último duelo no campeonato, uma vez que "o empate não serve a nenhuma das duas equipas".
"O facto de ser um jogo a eliminar, eventualmente terá nuances diferentes de um jogo de campeonato. Principalmente na forma como se encontravam. A vitória das duas era importante, mas a não derrota também era. Neste caso o empate não serve a nenhuma das duas equipas, o que poderá proporcionar um jogo diferente", defendeu José Mourinho, abordando pouco depois a conversar que teve com o plantel após o "monólogo" em Leiria.
"O diálogo correu muito bem, mas não consigo ser aquilo que vocês querem que seja. Nem como homem, nem como treinador. Não consigo jogar mal e dizer que joguei bem. Não consigo aceitar mediocridade. Cheguei onde cheguei a ser Mourinho e vou ser Mourinho até ao fim", frisou, referindo que tem "grupo do ponto de vista humano fantástico".
"Eu amo aqueles gajos. Agora não consigo fazer aquilo que vocês eventualmente gostam, não consigo atirar areia para os olhos das pessoas. Por outro lado, a relação que tenho com os jogadores atuais e tive em mais de duas décadas de futebol com os meus grupos é das coisas mais bonitas que tenho na minha carreira. E graças a Deus não estou a falar de 100% porque alguma coisa estaria errado", garantiu.
O técnico português aprofundou um pouco mais esta ideia. "Hoje em dia trabalha-se muito ao nível da percepção, trabalha-se muito ao nível dos haters, das pessoas dúbias, porque alguns trabalham para concorrentes e são pagos para fazer um determinado tipo de trabalho e depois chegam à televisão e fazem um que deveria ser incompatível. E eu não tenho isso a meu favor. Eu cheguei onde cheguei a ser quem sou e como sou. Os jogadores, na sua maioria, gostam de mim. E estou a falar de centenas e centenas de jogadores. Sou capaz de dizer a um jogador 'tu não jogaste nada'. Criticar publicamente. Mas também sou capaz de fazer o que fiz com o Dahl. Quando quiseram matar o Dahl pela assistência que fez ao Schick no jogo contra o Leverkusen, saí a dizer que no domingo era o Dahl e mais 10. Podem levar para onde quiserem".
"Eu sou quem sou, não vou mudar, vou ser assim até ao fim. A maioria dos jogadores gosta de mim e tem uma relação de grande honestidade e abertura comigo. E é assim que sou. Sinto muito, mas não consigo. Se gostavam mais do atira areia para os olhos dos outros, eu não consigo. E não consigo ter gente paga em painéis a falar bem de mim. Também não consigo. Cheguei aqui pelo meu próprio pé. Vocês sabem onde cheguei. Se como jogador chegou o Cristiano Ronaldo, Eusébio e Luís Figo, como treinador em Portugal só um chegou. E não vou mudar. Sinto muito", acrescentou.

