Kompany não poupa Mourinho: "Será que sabe o que os jogadores negros tiveram que passar?"

Vincent Kompany, treinador do Bayern Munique
Foto: Ronald Wittek/EPA
Vincent Kompany, treinador do Bayern de Munique, lembrou festejos antigos de Mourinho e criticou a justificação que o técnico das águias usou com Eusébio, em relação ao alegado racismo de Prestianni para com Vinícius durante o Benfica-Real Madrid.
Kompany afirma não ter dúvidas de que as acusações do extremo brasileiro são verdadeiras. "Eu estava a ver em direto o jogo. A reação do Vinícius é natural, não tem nada de encenação. Não vejo qualquer vantagem para ele em colocar nos ombros do árbitro toda a sua angústia. O Mbappé, que costuma ser diplomático, também não teve dúvidas do que ouviu", afirmou.
O técnico belga deixou um recado a Prestianni. "Se for verdade que o jogador do Benfica disse algo assim tão grave, que peça desculpa, assuma o erro e que isso tenha impacto no castigo que lhe for aplicado. Que possa ser uma oportunidade de melhorar. O que não se pode fazer é punir alguém injustamente ou descredibilizar uma pessoa que se queixou de algo que experienciou e que será muito doloroso", comentou.
Em antevisão ao jogo entre o Bayern Munique e o Eintracht Frankfurt, onde Kompany dedicou mais de dez minutos sobre o assunto, não faltaram críticas à postura de Mourinho. "José Mourinho basicamente atacou o caráter do Vini, ao usar os festejos dele para descredibilizar o que aconteceu. Em termos de liderança, é um erro enorme. É algo que não devemos aceitar", disse.
"Quando correu pela linha lateral em Old Trafford, ou quando celebrou em frente aos adeptos do Barcelona na meia-final com o Inter Milão, ou quando confrontou o árbitro no jogo entre a Roma e o Sevilha, sendo que o árbitro teve de deixar o país sob proteção, se alguém tivesse sido racista contra o Mourinho nessa altura eu diria: Parem, não importa a forma como festeja, vamos ouvir o que ele tem a dizer", declarou.
Kompany foi ainda mais além, recordando a justificação de Mourinho com a lenda encarnada Eusébio. "Disse que o Benfica não pode ser racista porque o melhor jogador do clube foi o Eusébio. Será que sabe o que os jogadores negros tiveram de passar nos anos de 1960? Estava lá para acompanhar o Eusébio em todos os jogos fora e para ver o que aconteceu? Provavelmente, naquela altura, a única opção que Eusébio tinha era a de ficar calado e ser dez vezes melhor para ter um bocadinho de crédito", criticou.
Por fim, o treinador do clube alemão revelou que também já sofreu de racismo por inúmeras vezes, tendo sido chamado de "macaco castanho" quando foi jogar contra o Club Brugge, no seu país natal.

