Mourinho, o disciplinador: dormir no Seixal, problemas com Casillas e duro castigo na Roma

Mourinho repreendeu o plantel dos encarnados
Foto: Paulo Cunha/Lusa
Depois da eliminação na Taça da Liga diante do Braga (3-1), José Mourinho impediu os jogadores de regressarem a casa e ordenou que dormissem no Seixal, retomando os treinos o mais rapidamente possível. Mas não é caso único, sendo que desde os tempos no F. C. Porto, o agora técnico das águias não se poupa nas reprimendas, nem nas críticas públicas.
José Mourinho nunca foi treinador de meias medidas. A derrota frente ao Braga, que ditou a eliminação das águias da Taça da Liga, trouxe de volta um traço clássico da liderança do técnico português: a disciplina férrea e os castigos exemplares. Após o jogo, Mourinho ordenou que o plantel pernoitasse no centro de treinos do Seixal e voltasse ao trabalho no dia seguinte. "Espero que não durmam tão bem quanto eu", disse, numa mensagem clara de descontentamento, após afirmar que fizeram uma "primeira parte parte horrível".
Mas este tipo de medida não é novidade na carreira do treinador. A fama de disciplinador começou a formar-se no F. C. Porto, onde Mourinho impôs um código de conduta baseado na disciplina. Na temporada 2002/03, a surpresa foi grande quando afastou Vítor Baía durante uma série de jogos, por alegadamente ter violado essa conduta. A decisão causou polémica, mas manteve-se firme, reforçando a ideia de que todos estavam sujeitos às mesmas regras, independentemente do currículo.
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No Chelsea, Special One deixou Obi Mikel de fora durante um mês porque o jogador chegou atrasado a um treino. Mas não se ficou por aqui. Após queixas do plantel, afirmando que tinha muitos treinos na pausa natalícia, Mourinho aumentou o número das sessões de trabalho, apesar dos protestos. A resposta surgiu porque acreditava que os jogadores se estavam a acomodar.
O caso de Iker Casillas no Real Madrid é, talvez, o mais conhecido. Mourinho deixou o capitão e ídolo do clube no banco de forma prolongada, por entender que o guarda-redes se estava a colocar acima da equipa e de manter ligações demasiado próximas com a imprensa. A relação com Pepe e Sergio Ramos também se deteriorou, com críticas públicas e afastamentos temporários, especialmente após derrotas importantes ou comportamentos que, no entender do treinador, prejudicavam o grupo.
Também Cristiano Ronaldo não passou à margem do treinador português, quando num jogo com o Valência o avançado perdeu a bola o que motivou uma discussão entre ambos que se prolongou até ao balneário. "Não gosto de jogadores egocêntricos", disse, na altura, o técnico.
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No Manchester United, os episódios repetiram-se. Paul Pogba, que Mourinho chegou a elogiar, deixou de ter a braçadeira de capitão e depois foi afastado da equipa, criticado de falta de empenho e de ter uma influência negativa no balneário. Já Luke Shaw foi colocado em causa em várias conferências de imprensa, pela forma física e por não entender o jogo "de forma inteligente" durante os jogos.
No Tottenham, o episódio mais simbólico deu-se após a surpreendente eliminação na Liga Europa frente ao Dínamo Zagreb, por 3-0. Mourinho entrou no balneário e terá gritado que "faltavam homens" na equipa, com Dele Alli a ser posto de fora das opções a partir daí.
Numa medida parecida ao que fez desta vez no Benfica, mas na Roma, onde foi goleado por 6-1 contra o modesto Bodo/Glimt, Mourinho ordenou que a equipa ficasse a dormir no centro de treinos, como punição. Além disso, afastou cinco jogadores da convocatória seguinte por "não terem nível para jogar na Roma". Foi o ponto de viragem na época e serviu, nas palavras do próprio, "para separar quem quer competir a sério dos que só querem participar".
Ao longo de mais de 20 anos de carreira, Mourinho construiu um legado de sucesso, mas também de rigor. Para uns, os castigos são retratos de um treinador à moda antiga, para outros, são a demonstração de liderança e controlo total sobre o grupo.
