
"O objetivo é só um: tentar tudo para ganhar o jogo, mesmo sabendo quem está do outro lado"
Foto: Patrícia de Melo Moreira/AFP
José Mourinho, treinador do Benfica, fez o lançamento para o duelo com o Real Madrid. O fator decisivo, a abordagem ao jogo, as arbitragens e até Arbeloa estiveram entre os temas.
O Benfica vai medir forças com o Real Madrid na quarta-feira, às 20 horas, num jogo em que só a vitória interessa aos encarnados. Na antevisão a este duelo, José Mourinho começou por fazer uma análise ao adversário que treinou entre 2010 e 2013.
"É difícil prever. Analisas o adversário, desenvolves a tua própria equipa, o teu próprio plano de jogo, mas existe uma dose grande de imprevisibilidade. O que nos resta fazer, respeitando essa natureza do jogo, é preparar a equipa o melhor possível e jogar o jogo com respeito por um adversário que sabemos quem é, mas também sabemos quem somos, e temos de jogar com o único objetivo que temos", começou por dizer, antes de falar nas possibilidades de passagem ao playoff.
"Ou matas ou morres de pé"
A forma como a equipa vai abordar o Real Madrid está definida: "O Benfica tem de jogar com as caraterísticas que tem. Se me perguntar se gostaria de jogar como vamos jogar, diria não. Temos de jogar de acordo com as qualidades que temos e não com as qualidades que não temos. Não me querendo alargar muito, para ganhar temos de marcar mais um golo do que o adversário. Se temos de marcar, temos de jogar para marcar e não podemos sofrer muitos. Repetir o jogo que fizemos em Turim onde pisámos a área com bola 34 vezes e não fizemos um golo. Nas vezes que pisarmos temos de fazer golo".
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"Não temos de pensar nos outros resultados. Se não ganharmos, não há resultados que nos possam qualificar. Só ganhando podemos constatar se os resultados foram favoráveis. O objetivo é só um: tentar tudo para ganhar o jogo, mesmo sabendo quem está do outro lado", referiu, sabendo que, do outro lado, está uma excelente equipa: "Quando não tens nada a perder tens de ir com tudo. Ou matas ou morres de pé. É o que vamos tentar amanhã com equilíbrio. É uma equipa que castiga, estes jogadores metem três pés e fazem três golos. É gente que castiga. São de um nível tão alto que estão à espera do erro".
"Depois dos jogos é que falo de árbitros"
O técnico setubalense evitou ainda falar sobre arbitragens: "Há umas semanas disse que não gosto de comentar árbitros antes dos jogos, porque gosto DE pensar que vai para fazer o seu trabalho o melhor possível. Depois dos jogos é que falo de árbitros. No último jogo contra a Juventus acabei por não falar, mas se fosse para falar era para dizer que tanto ele como o VAR foram fantásticos. Relativamente ao de amanhã vamos esperar pelo final do jogo".
José Mourinho falou ainda da "falta de experiência" dos treinadores mais jovens. "A pergunta que me fizeram foi se era uma surpresa o Spaletti treinar a Juventus, a resposta foi sobre isso. A resposta é, em defesa de Spaletti, não me surpreende que treine a Juve. O que surpreende é quando um treinador sem história treina um grande clube. Conto uma história que reflete a situação. No ano 2000, um gigante, que se chama Benfica, chamou um treinador que não tinha treinado ninguém. Esse treinador respondeu que não queria ser assistente, pensava que me queriam como assistente e afinal queriam-me como treinador. Foi a minha primeira grande surpresa".
"Chivu e Arbeloa não são só meus ex-jogadores, como são especiais. o Álvaro é dos jogadores que do ponto de vista humano e empatia é dos meus favoritos de todos. Não foi o melhor jogador que jogou no Real Madrid, mas foi seguramente um dos melhores homens que jogou no Real Madrid. Era o último que poderia pressionar. Ao Álvaro só espero que vá tudo bem e que possa ter uma carreira fantástica como treinador", completou.

