
Bednarek bateu Trubin, de cabeça, após um canto
Foto: Pedro Correia
Golo de Bednarek vale apuramento portista para as meias-finais da Taça de Portugal. Águias jogaram melhor do que na visita anterior ao Dragão, mas desta vez saíram com derrota.
Foi um clássico cheio, muito diferente do que F. C. Porto e Benfica tinham disputado na primeira volta do campeonato. Não será exagero dizer que só o local foi o mesmo. Desta vez, houve futebol e duas equipas à procura da vitória, num embate de alta intensidade. Ganharam os portistas, de novo eficazes numa bola parada, mas se o resultado fosse outro ninguém podia abrir a boca de espanto.
José Mourinho soltou as amarras à equipa benfiquista, sem a obsessão pelo empate que tinha revelado em outubro, até porque, como o próprio afirmou na véspera, a igualdade não servia a ninguém. Com a esperada estreia de Thiago Silva (exibição sem mácula) e o excelente Kiwior no lado esquerdo da defesa, os dragões tiveram em Bednarek o herói da noite, letal na cabeçada de que resultou o único golo do jogo, aos 15 minutos.
Numa primeira parte frenética, o F. C. Porto teve o 2-0 à mercê pouco depois, numa jogada de grande recorte técnico (dupla defesa de Trubin a remates de Gabri Veiga e Froholdt), mas o Benfica reagiu bem e o 1-1 não esteve longe de acontecer em cima do intervalo, quando Diogo Costa negou o empate a Leandro Barreiro. Pelo caminho, num duelo olhos nos olhos, houve muito que contar, com lances rasgadinhos uns atrás dos outros e o árbitro Fábio Veríssimo a aguentar-se no meio do turbilhão, numa série de boas decisões.
O segundo tempo trouxe um Benfica com mais bola, impulsionado pela necessidade de não deixar fugir outro troféu no espaço de uma semana. Sem Richard Ríos, que se lesionou antes do descanso, mas com Sudakov a tentar mostrar serviço, a formação lisboeta arriscou e expôs-se, só que os portistas não estavam em noite de inspiração nos contra-ataques e nem a entrada de Rodrigo Mora trouxe mais clarividência no último passe ou no remate à equipa de Francesco Farioli.
Barreiro esteve outra vez perto da igualdade, num disparo que saiu perto do poste, mas a grande oportunidade das águias surgiu já em cima dos 90 minutos, numa altura em que o F. C. Porto se agarrava à vantagem com unhas e dentes, assumindo o recuo com os sinais vindos do banco (Alan Varela e Eustaquio entraram para fechar um miolo já sem o incansável Pablo Rosario, que recuou para central com a lesão de Bednarek).
O lance que podia ter forçado o prolongamento é o espelho do que mudou de uma época para a outra. Se em abril passado, Pavlidis destruiu o Dragão com um "hat-trick", agora deixou passar a bola por baixo dos pés quando só tinha as redes pela frente. No sítio certo, Kiwior, que no dia desse clássico jogava no Arsenal, afastou o perigo e o F. C. Porto voltou às vitórias sobre o rival, quase dois anos depois.

