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Quem era o "irmão" que Coates perdeu após uma depressão

Quem era o "irmão" que Coates perdeu após uma depressão

Sebastián Coates foi o herói da vitória do Sporting, frente ao Gil Vicente, apontando os dois golos que garantiram a reviravolta no marcador (1-2) em Barcelos. No final da partida foi rodeado pelos colegas e até Ruben Amorim se dirigiu ao centro do relvado para dar-lhe um calduço. Mas nunca o capitão leonino esboçou um sorriso. O luto falou mais alto.

"Esta semana perdi um amigo, um irmão, e por isso foi um jogo muito complicado. Tenho de agradecer aos meus companheiros, que me apoiaram muito dentro de campo", desabafou aos microfones da SportTV, na entrevista rápida, visivelmente emocionado. Ficou explicado, nesse momento, o estado de espírito taciturno do uruguaio a contrastar com a alegria que sentiria em condições normais, por ter sido decisivo para mais um triunfo do Sporting.

Logo depois, no mesmo espaço, Ruben Amorim explicou o resto com elogios a Coates pelo meio: "Ele teve uma semana muito difícil, uma pessoa muito próxima suicidou-se. Agora teve um momento bom e ele merece, porque é uma excelente pessoa e um excelente capitão. Se alguém merecia marcar era ele".

Coates e Ruben Amorim referiam-se a Santiago García, avançado uruguaio do Godoy Cruz (Argentina), que foi encontrado sem vida na própria casa, no passado sábado, na cidade de Mendoza, na Argentina. Tinha 30 anos.

Entre seleções jovens do Uruguai e o clube onde se formaram, o Nacional de Montevideu, Coates e Santiago García estiveram do mesmo lado da barricada em quase 50 jogos, mas houve também muitos treinos e convivência diária a uni-los. E o sportinguista, como não podia deixar de ser, dedicou ao "irmão" os dois golos que marcou ao Gil Vicente, apontando para os céus de Barcelos.

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Santiago García, também conhecido por El Morro, estava a receber tratamento psiquiátrico devido a uma depressão e, por esse motivo, tinha sido afastado do plantel do Godoy Cruz. Muito mais cedo na carreira, em 2011, antes de deixar o país natal pela primeira vez, para jogar no Brasil, ao serviço do Atlético Paranaense, também foi notícia por ter acusado cocaína num controlo antidoping.

De acordo com a imprensa argentina, os problemas de García acentuaram-se em janeiro passado, quando testou positivo à covid-19. Antes e depois de ter sido infetado, vivia numa grande angústia por não poder cruzar fronteiras e visitar a filha no Uruguai. Foi encontrado morto, deitado na cama do seu apartamento, e com uma arma de fogo junto ao corpo.

A Argentina ficou em choque e o Uruguai de luto. Coates e El Morro García partilhavam um camarote no Estádio Gran Parque Central, do Nacional Montevideu, com outro ex-jogador do clube, no caso Diego Arismendi. Numa homenagem em jeito "Maradoniano", esse mesmo espaço esteve, por estes dias, repleto de flores, camisolas, cachecóis e todo o tipo de lembranças. As luzes do camarote conhecido por Palco G410 nem de noite se desligaram. Mas a derradeira homenagem ao falecido saiu do pé e da cabeça de Coates. Em Barcelos.

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