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Rui Pinto

"O clube como um estado soberano". Jornal norte-americano escreve sobre Benfica

"O clube como um estado soberano". Jornal norte-americano escreve sobre Benfica

"O clube de futebol como um estado soberano." É o título da reportagem do jornal norte-americano "The New York Times" sobre o Benfica, no qual se escreve sobre o juiz benfiquista que vai julgar o "hacker" Rui Pinto, acusado de "revelar segredos obscuros" dos encarnados.

Na reportagem, o "New York Times" (NYT) escreve que juízes, procuradores, chefes de polícia e até o primeiro-ministro de Portugal são convidados regulares para a tribuna presidencial do Benfica e levanta uma questão: "o que acontece quando esses adeptos decidem sobre casos que afetam os interesses do clube?"

O jornalista do NYT recorda um juiz, "que é tão leal ao clube que foi agraciado com a Águia de Ouro", símbolo atribuído a sócios com 50 anos de fidelização. O artigo, assinado por Tariq Panja escreve que quando um juiz, não o que foi agraciado, mas outro, "se juntou à legião de críticos de Rui Pinto, que embaraçou o Benfica ao publicar alguns dos seus mais segredos escuros online, poucos o defenderam".

Para os advogados do "hacker" de Vila Nova de Gaia a nomeação deste juiz "é um problema sério" para a o julgamento, que está agendado para o verão. "É desconfortável", disse Paulo Teixeira da Mota, que faz parte da equipa de defesa de Rui Pinto. "É evidente que preferíamos alguém que não estivesse ligado com o Benfica", acrescentou, em entrevista telefónica ao NYT.

Paulo Registo, o juiz a quem foi confiando o julgamento de Rui Pinto e que esteve nos últimos dias envolvido em polémica por ser um confesso adepto do Benfica, pediu para ser afastado do caso, e aguarda decisão do Tribunal da Relação.

Encontrar um juiz sem ligações aos encarnados, não será fácil, considera aquele jornal com sede em Nova Iorque. O Benfica "é um colosso do desporto e dos media, cuja influência chega a praticamente todos os aspetos da vida diária" de Portugal e que "tem adeptos em posições de poder, da comunicação social, à Banca e ao Governo", escreve o NYT

"Um tipo de poder, que segundo os críticos, dá vantagem ao Benfica e que se estende bem para lá do terreno de jogo, o que explica porque alguns se lhe referem como Polvo", acrescenta a reportagem, que cita a expressão "Estado capturado" usada por Ana Gomes, diplomata de carreira, que tem assumido muito da defesa pública de Rui Pinto e cujas críticas ao Benfica resultaram num processo em tribunal.

"A captura do Estado é feita através de pessoas que têm posições institucionais no Estado, e claro a Justiça é um pilar fundamental", disse Ana Gomes. "Se há juízes que estão capturados, ou que não se importaram de passar por estar capturados, então temos um problema", acrescenta a diplomata, citada pelo NYT.

Tariq Panja escreve que o Benfica, que foi contactado para reagir a este artigo, na segunda-feira, mas só respondeu "na quarta-feira à noite", após a publicação online da reportagem. A resposta, enviada por email, por um responsável encarnado, argumentando que o clube "não pratica atos que não sejam inteiramente legais".

Na nota enviada ao NYT, o clube encarnado diz que a inveja motiva as más línguas e argumenta que "não é verdade que o Benfica tenha alguma influência subterrânea na sociedade portuguesa". Sugestões em contrário não passam de "teorias da conspiração, que alimentam a internet, redes sociais e, infelizmente, alguns meios de comunicação social reputados."