
O PCP qualificou como acto de gestão danosa a entrega dos 21,35% que o Estado detinha no capital social da EDP à chinesa Three Gorges e anunciou que vai requerer a apreciação parlamentar da privatização.
Numa declaração aos jornalistas na sede do PCP, em Lisboa, o dirigente comunista Vasco Cardoso afirmou que o negócio, anunciado esta quinta-feira, "constitui um acto de gestão danosa, por parte do Governo, contrário aos interesses nacionais, que dá um passo significativo no criminoso processo de privatização da EDP iniciado na década de 90 pelo Governo PSD de Cavaco Silva e que terá de ser revertido tão cedo quanto possível".
Para o PCP, esta privatização é mais um caso de uma transferência de "empresas estratégicas para a economia e para a soberania nacional para mãos estrangeiras", que fará com que a EDP, "que já hoje é, em larga medida, detida e gerida a partir do estrangeiro", deixe "de ser, na prática, uma empresa nacional".
Vasco Cardoso disse que, "com a perda do controlo nacional, o país perderá soberania, o Estado perderá receitas - impostos e dividendos - , os trabalhadores perderão emprego e direitos, os riscos de segurança e fiabilidade do abastecimento aumentarão, a fuga de capitais acentuar-se-á, a competitividade da economia será reduzida, o povo português e as pequenas e médias empresas pagarão uma energia mais cara".
Neste quadro, argumentou o dirigente comunista, "não há por isso razões de interesse nacional que justifiquem esta privatização".
Os chineses da Three Gorges Corporation foram hoje os escolhidos pelo Governo para a aquisição da participação pública de 21,35% na EDP.
A Parpública, detentora da posição do Estado, comunicou que a alienação será efectuada por 2,69 mil milhões de euros, num prémio de 53,6% em relação ao preço de mercado no dia 21 de Dezembro da eléctrica liderada por António Mexia.
Pelo caminho ficaram o grupo alemão E.ON e as empresas brasileiras Eletrobras e Cemig.
