
Vítor Gaspar
Vítor Rios / Global Imagens
O Partido Socialista acusou, esta quarta-feira, o secretário de Estado do Orçamento de "mentir ao Parlamento", acusação que Luís Morais Sarmento repudiou.
"O secretário de Estado do Orçamento mentiu ao Parlamento. Meço bem as palavras: mentiu", disse o deputado socialista João Galamba, referindo-se ao envio à Comissão Europeia de um anexo ao documento de estratégia orçamental (DEO) com projeções sobre a evolução do desemprego.
"O senhor secretário disse na semana passada que não havia dados novos sobre o desemprego, este anexo mostra que o senhor mentiu", continuou o socialista eleito por Santarém.
"Não é a primeira vez que o Governo mente à Assembleia [da República]", continuou Galamba, acusando o Executivo de "legislar nas costas dos portugueses há um mês sem consultar ninguém" e de agora "sonegar informação central" ao Parlamento.
"Isto é inaceitável. O Governo tem deveres centrais na relação com o Parlamento. A democracia não está suspensa", continuou Galamba.
"Não menti", respondeu Morais Sarmento, visivelmente desagradado com o tom da intervenção de Galamba. "Disse duas coisas [no Parlamento] na semana passada sobre o desemprego: que não havia novos dados publicados sobre o desemprego, e que o Governo faria uma revisão para julho."
O secretário de Estado acrescentou que os números constantes da nova versão do DEO não contradizem os valores para 2012 que tinha apresentado no Parlamento.
O Governo português comunicou à Comissão Europeia, no DEO enviado para Bruxelas no início do mês, previsões de uma taxa de desemprego de 14,5% este ano e 14,1% em 2013.
O Diário Económico avançou na sua edição desta quarta-feira que o "Governo assume em Bruxelas desemprego pior que o previsto", tendo comunicado ao executivo comunitário previsões para a taxa de desemprego que não disponibilizou no Parlamento.
No documento recebido em Bruxelas consta um anexo de cinco páginas com as previsões de Lisboa nos mais diversos indicadores até ao horizonte de 2016.
Relativamente ao desemprego, o Governo transmite a Bruxelas uma taxa para 2012 de 14,5%, tal como já constava no Orçamento Retificativo para este ano, prevendo que em 2013 desça apenas quatro décimas (14,1%).
Lisboa espera para os anos seguintes uma redução progressiva da taxa de desemprego, para os 13,2% em 2014, 12,7% em 2015 e 12,1 em 2016.
O Governo "confirma" por outro lado as previsões de uma recessão na ordem dos 3% este ano, antecipando um recuo do Produto Interno Bruto de 0,6% em 2013, e um regresso do crescimento económico em 2014, com um aumento do PIB de 2%.
Já no Parlamento, esta quarta-feira, questionado por deputados da oposição por não ter enviado à Assembleia da República projeções sobre a evolução do desemprego, o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, afirmou que a evolução do desemprego "é uma grande preocupação do Governo" e que, tendo "revelado padrões de comportamento diferentes do que seria sugerido pela experiência histórica", vão ser reveladas novas previsões em breve.
