O membro de conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE), Christian Noyer, descartou, esta terça-feira, uma reestruturação da dívida grega, denominando-a de um "filme de terror" que o banco central não pode aceitar.
"Não há outra solução possível" para a Grécia que não seja seguir o programa de austeridade, disse Noyer aos jornalistas , esta terça-feira, em Paris, citado pela agência de informação financeira Bloomberg.
"A reestruturação não é uma solução, é um filme de terror", acrescentou o também Governador do Banco de França.
Christian Noyer considerou ainda que, caso a Grécia entre em bancarrota, a dívida soberana do país passa a ser "inelegível como colateral" para o BCE conceder financiamento aos bancos do país.
Estas declarações de Christian Noyer estão em linha com as dos membros do conselho executivo do BCE Juergen Stark e Lorenzo Bini Smaghi, assim como com o presidente do Bundesbank, Jens Weidmann, que afirmaram a semana passada que o BCE pode vir a deixar de aceitar dívida soberana grega como colateral.
O BCE suspendeu no último ano a nota de 'rating' mínima até à qual aceitava os colaterais (activos que servem de garantia) dados pelos bancos nas operações de refinanciamento do Eurosistema (financiamento junto do BCE), após o fecho do mercado interbancário para os bancos gregos.
Antes da crise, o Banco Central Europeu aceitava como colateral nestas operações apenas activos que tivessem uma notação ainda em nível A por qualquer uma das quatro agências de 'rating' com quem trabalha (Standard & Poor's, Moody's, Fitch e DBRS), alargando os critérios até nível B, mas ainda dentro da escala de investimento, na sequência da crise financeira.
A suspensão dos critérios mínimos de 'rating' (no entanto, os colaterais ficam sujeitos a uma maior desvalorização quanto pior for a nota) foi ainda aplicada à Irlanda mais recentemente, após os sucessivos cortes da notação de crédito dos países pelas agências.
Hoje, o ministro das Finanças grego, Yorgos Papaconstantínu, reafirmou que o país declarará a bancarrota se não receber uma quinta tranche de ajuda externa no valor de 12 mil milhões de euros até 26 de Junho.
