Coronavírus

Aviões vazios queimam combustível para não perderem posição nos aeroportos

Aviões vazios queimam combustível para não perderem posição nos aeroportos

Procura de voos entrou em colapso em todo o mundo devido aos crescentes temores com o surto de coronavírus.

Para não perderem as suas "slots" (autorização para levantar/aterrar e usar a estrutura do aeroporto num determinado período de tempo) nos aeroportos, muitas companhias aéreas estão a desperdiçar incontáveis litros de combustível em "voos fantasma" com baixos índices de carga e demasiados lugares vazios de passageiros, por causa das regras europeias que ditam que os operadores aéreos podem perder as suas faixas horárias se mantiverem os aviões no solo. A procura de voos entrou em colapso pelo mundo inteiro desde que o surto do Covid-19 se propagou pelo mundo.

De acordo com as regras da Europa, as companhias aéreas que operam fora do continente são obrigadas a executar 80% das suas "slots" reservadas ou, então, correr o risco de perdê-las para uma empresa concorrente. Segundo uma investigação do "Times", de Londres, essa condicionante está disseminar, com enormes custos financeiros, "voos fantasma" para dentro e fora dos países europeus.

Regras têm que mudar

Na quinta-feira, 5 de março, o secretário de Transportes do Reino Unido, Grant Shapps, escreveu à Airport Coordination Limited pedindo que as regras das "slots" fossem suspensas durante o surto para evitar mais danos económicos e ambientais.

"Estou particularmente preocupado que, para atender à regra 80/20, as companhias aéreas sejam obrigadas a pilotar aeronaves com fatores de carga muito baixos, ou mesmo vazios, a fim de manter as suas 'slots'", escreveu Shapps. "Esse cenário não é aceitável. Não é do interesse da indústria, dos passageiros ou do meio ambiente e deve ser evitado".

A Airport Coordination Limited já suspendeu as regras de 80/20 para voos que tenham origem ou destino em Hong Kong e na China, no entanto, as regras permanecem para todos os outros voos.

Esta semana já houve uma vítima: a companhia aérea britânica Flybe, que já manifestava problemas financeiros antes do surto, entrou em processo administrativo de falência.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo estima que o surto de coronavírus poderia acabar com 113 mil milhões de dólares (cerca de 100 mil milhões de euros) em vendas de companhias aéreas em todo o mundo.

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