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Paris Marx: A tecnologia não resolve problemas políticos

Paris Marx: A tecnologia não resolve problemas políticos

Por mais aliciantes que possam soar as promessas vindas de Sillicon Valley não será a criação de novas tecnologias e sim a aposta em novas políticas e regulamentos que poderá mudar o sistema de transportes, diminuir a dependência do automóvel e mitigar as alterações climáticas. É o que defende Paris Marx.

Da micromobilidade aos veículos autónomos, passando pelos carros voadores, muitas têm sido as promessas que o setor tecnológico tem feito para o futuro do transporte. Mas será que a disrupção associada às soluções tecnológicas teve mesmo os efeitos positivos que prometeu? Autor do podcast semanal "Tech won't save us", Paris Marx tem uma perspetiva crítica sobre o setor tecnológico e defende que separar tecnologia e política tem consequências que afetam toda a sociedade, em particular os mais vulneráveis. Uma ideia que serviu de mote à intervenção "Estrada para nenhures - O que Sillicon Valley não entende sobre o futuro da mobilidade" com que participou esta manhã no Portugal Mobi Summit.

"Este é um momento importante para pensar sobre as promessas sobre os sistemas de transportes que as empresas tecnológicas nos têm feito e perceber até que ponto podemos confiar nelas", afirmou Marx, para quem a pandemia veio alterar um cenário que também tem de ser considerado com a crise climática como pano de fundo.

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Paris Marx não tem dúvidas: a nova realidade anunciada pelas empresas tecnológicas ao longo dos últimos 15 anos - com menos carros, menor congestionamento de trânsito nas cidades, maior acesso aos transportes públicos e ajuda na mitigação à crise climática - está longe de se concretizar. "Continua a haver um excesso de dependência do automóvel que não contribui para a resolução da crise climática", defende Marx, sublinhando que muitas das inovações tecnológicas são dirigidas para o automóvel individual e não promovem soluções de mobilidade mais abrangentes e inclusivas. "Chamar um táxi através do meu telemóvel pode ser conveniente, mas os direitos dos trabalhadores continuam a sofrer", lembrou.

"As empresas tecnológicas oferecem histórias convenientes que nos livram de lidar com problemas políticos", criticou Paris Marx para quem é impossível que sejam as inovações tecnológicas a fornecer soluções como a maior acessibilidade a um sistema de transportes mais eficiente e menos poluente. Por um motivo simples: "A tecnologia não resolve problemas políticos. Temos de ter uma abordagem política. É necessário que os governos intervenham e estabeleçam regulamentos para o sistema de transportes e isso tem de se refletir no espaço público". Só assim, acredita, poderá haver uma menor dependência do automóvel.

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