
O novo livro de receitas sesimbrenses.
Foto: DR/Junta Freguesia do Castelo
Mais do que um livro de receitas, "A Que Sabe Sesimbra" conta memórias e tradições culinárias em torno da gastronomia sesimbrense ao longo das décadas. É editado pela Junta de Freguesia do Castelo e foi apresentado esta sexta na 36.ª edição da BTL, no Parque das Nações.
Ao todo, soma-se mais de uma centena de receitas tradicionais - algumas foram ficando esquecidas no tempo -, que ajudam a traçar o perfil gastronómico sesimbrense ao longo das últimas oito décadas. Entre propostas de pequeno-almoço e lanche, pratos de peixe, marisco e carne, exemplos de sabores de caça e das criações que enchiam e enchem as mesas de Santos Populares e festas religiosas locais, cruzam-se receitas com memórias, curiosidades e tradições culinárias em torno destes mesmos pratos.
A criação de "A Que Sabe Sesimbra - Quando os Sabores Diferenciam Um Território", o novo livro editado pela Junta de Freguesia do Castelo - e apresentado esta sexta-feira na BTL, que decorre até domingo no Parque das Nações -, exigiu um trabalho prévio e longo de recolha e investigação, pelas mãos de Maria Manuel Gomes, ex-presidente desta freguesia, com apoio de Óscar Cabral, investigador em Ciências Gastronómicas. A ideia surgiu quando ambos frequentaram uma pós-graduação e materializa-se agora em formato físico.
A obra, feita num contacto próximo com a comunidade local, não só mostra a riqueza do receituário sesimbrense como também recorda a forma como os tempos parcos de antigamente obrigavam a uma criatividade na cozinha. "A pobreza [daqueles tempos] trazia uma imaginação gastronómica fantástica e uma capacidade de originalidade curiosa", explica Maria, atualmente na Câmara Municipal de Sesimbra. "Quando começámos a procurar receitas, não fomos procurar na pastelaria quais são os doces tradicionais. Temos de ir aos lares, aos portos de pesca. Temos de procurar a pessoa mais velha da nossa terra. Fui encontrar muitas receitas das quais já não me lembrava, como as favas torradas em areia", acrescenta. "As pessoas adoram falar em receitas. Sentam-se numa mesa a falar sobre a forma como se faz o bolo podre e parece que estão a falar da melhor peça de joalharia que têm em casa", adianta.
Farinha torrada, bolo podre, papas de abóbora, açorda de ovas, sopa tola, cabrito no forno, arroz de sardinhas, choquinhos à pé descalço, peixe frito de tomatada, ensopado de iroses, lapas na chapa, chouriças doces e fogaças de Alfarim são alguns dos pratos que se dão a descobrir nestas páginas. "Demos conta que há um espólio muito grande para ser registado e levantado", diz Óscar Cabral. "Este não é um livro de receitas comum. É um livro que tem um território cá dentro", frisa o investigador, que também assina o prefácio da obra.
"Este livro traz-nos memórias e receitas a partir dos anos 1950, onde a base alimentar vinha muito da pesca artesanal e dos produtos locais. Sesimbra é uma zona piscatória, rural, atualmente também urbana, com três freguesias com diferenças grandes", referiu durante a apresentação Vítor Cruz, presidente da Junta de Freguesia do Castelo, onde aproveitou para lançar o repto para um segundo volume, com mais receitas e memórias. "A Que Sabe Sesimbra" está atualmente à venda nas instalações da Junta de Freguesia do Castelo, pelo preço de oito euros.


