Crónica de José Miguel Gaspar: o algoritmo da nostalgia e a decomposição de Chris Rea

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(Nota ao leitor: imagine que este texto está rodeado por 47 notas de rodapé de página inteira sobre a densidade calórica do açúcar no sangue de um diabético insulino-dependente e a física acústica de "Driving home for Christmas", um fenómeno pandémico-musical estatisticamente inevitável em todos os elevadores e lojas do hemisfério norte.)
Há algo de vagamente sinistro no vazio existencial hiper-comercializado: o facto de estarmos todos, coletivamente, a processar a morte de Chris Rea (ocorrida a 22 de dezembro, há escassas horas, portanto, segundo a dilatação cronométrica da tortura temporal do Natal) através do prisma de uma canção escrita em 1978, quando o próprio Rea estava legalmente impedido de manobrar maquinaria pesada.
