
Mosteiro da Batalha
Maria João Gala
Um roteiro pelos encantos naturais, tradições e património de um território que não vê fronteiras. O ponto de partida é a Batalha, guiados pelas encostas do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros por quem partilha o seu amor pela terra. Este é um convite a explorar sem limites e sem pressas, para lá do óbvio.
Umbelina Jorge conhece todas as cabras do seu rebanho pelo nome. "Essa é a Luz, esta é a Borboleta, aquela lá é a Catraia, esta é a Zazá", apresenta a pastora, enquanto distribui mãos-cheias de ração, cedendo o balde às mais impacientes. Tiveram filhotes há pouco tempo e por isso Umbelina mantêm-nas num campo mais próximo da aldeia, protegidas das raposas e de outros predadores que possam atacar as crias. Mas continua a levar o restante rebanho para a serra, e é aí que habitualmente recebe os visitantes na sua experiência de "pastor por um dia", convidando-os a acompanhá-la nos seus afazeres diários. "As pessoas gostam muito porque é uma experiência real, vêm mesmo acompanhar o meu dia-a-dia. E não é sempre igual. Elas [as cabras] às vezes estão num terreno, outras vezes estão noutro, umas vezes têm muito leite, outras vezes têm pouco. É consoante a altura do ano", explica. Havendo vontade de arregaçar as mangas, Umbelina incentiva a que também participem nas tarefas do pastoreio, como ordenhar e dar o biberão de leite aos cabritos, fazendo com que interajam com os animais. O sucesso tem sido evidente. A Zazá, que recebeu o nome de uma turista da Nova Zelândia, e a Martina, batizada por uma visitante da Letónia, são a prova de que esse contacto genuíno com a vida rural não deixa indiferente quem aqui vem.
