
Foto: Johan Oordonez / AFP
Cientistas britânicos vão testar, nos próximos cinco anos, um método de diagnóstico para a doença de Alzheimer, mais simples e rápido, a partir do sangue. Quatro em dez utentes com esse tipo de demência no Reino Unido não foram diagnosticados.
Uma equipa de investigadores do centro de investigação Alzheimer’s Research UK e da associação Alzheimer’s Society vai estudar, durante cinco anos, a implementação, no Serviço Nacional de Saúde britânico, de exames de diagnóstico de Alzheimer mais rápidos, avança o diário britânico "The Guardian".
O projeto, financiado em cinco milhões de libras (cerca de 5,8 milhões em euros) pela Lotaria Popular britânica, pretende que os novos testes possam substituir os métodos mais invasivos. Isto porque, atualmente, o processo de deteção da doença implica testes de capacidade mental, radiografias ao cérebro e ainda intervenções em que fluído cerebroespinal é retirado através de picadas nas costas.
Apesar de o Reino Unido registar 900 mil pessoas com demência e de as previsões apontarem para 1,4 milhões até 2040, os pacientes esperam até quatro anos por uma consulta de rastreio, de acordo com a responsável pelo estudo, Fiona Carragher. “Cerca de quatro em dez pessoas no Reino Unido que têm demência ainda não receberam o diagnóstico e as que o têm esperam meses ou anos", acrescentou a investigadora.
O desenvolvimento desta nova técnica surge na sequência do aparecimento de dois fármacos que reduzem o declínio cognitivo, "mas sem um diagnóstico as pessoas não vão poder ter acesso a eles", alerta a responsável.
Para a diretora excutiva da Alzheimer’s Research UK , Susan Kohlhaas, "é necessário um investimento significativo para garantir que o Serviço Nacional de Saúde tem as ferramentas certas para identificar as pessoas com Alzheimer mais precocemente, mas é preciso retirar estes testes do laboratório e avaliar a eficácia em ambientes reais".
Os especialistas que estão a desenvolver estas análises rápidas, citados pelo "The Guardian", explicam que é preciso mais investigação para garantir a correta combinação dos biomarcadores. Neste momento, a ideia está ainda em fase de testes para encontrar proteínas que surgem antes dos sintomas. Desta forma, através dos exames de sangue, seria possível detetar a doença antes de os sintomas aparecerem.
Estes testes já estão disponíveis em algumas clínicas nos EUA e em Hong Kong e têm um custo de quase 700 libras (cerca de 800 euros).
