Cravos vermelhos e rosas brancas: como as flores se tornaram polémica na celebração do 25 de Novembro
O confronto entre rosas brancas e cravos vermelhos voltou a marcar a sessão solene que assinalou a operação militar do 25 de Novembro de 1975, que contou também com a presença de vários candidatos presidenciais. André Ventura retirou os cravos que tinham sido colocados por deputados da Esquerda e o momento gerou protesto das bancadas, com alguns deputados do PS a abandonar o hemiciclo.
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A Sala das Sessões foi novamente decorada com arranjos de rosas brancas, tal como no ano passado, mas desta vez em maior número, ocupando toda a Mesa da Assembleia da República, além do púlpito.
Não tardaram a surgir, de novo, os primeiros cravos vermelhos, símbolo da revolução de 25 de Abril de 1974: na lapela ou na mão, vários deputados do PS levaram-nos até ao hemiciclo, incluindo o presidente do partido, Carlos César, o secretário-geral, José Luís Carneiro, e o líder parlamentar, Eurico Brilhante Dias.
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Nas bancadas à esquerda - à exceção da do PCP, que esteve vazia - foram surgindo mais cravos vermelhos, quer nos lugares do Livre ou na lapela da deputada única do BE, Mariana Mortágua.
Mas não só: também o presidente do Tribunal Constitucional, José João Abrantes, sentado na primeira fila dos convidados institucionais, surgiu de cravo vermelho ao peito.
Os arranjos florais do púlpito foram palco de um autêntico "confronto" político, seja com deputados à esquerda, como Jorge Pinto e Mariana Mortágua, ou Inês Sousa Real, a colocar cravos vermelhos no arranjo de rosas brancas, ou com figuras à direita, como André Ventura, a retirá-los de seguida.
Também Paulo Núncio, líder parlamentar do CDS-PP, fez questão de retirar uma rosa branca de um dos arranjos mais abaixo e levá-la até à tribuna, antes de começar a discursar.
Os cravos acabaram por ser repostos pelo deputado do PSD Pedro Alves, que defendeu que a data "é de todos".
