
Inovação na moda com sustentabilidade, desde fibras recicladas a tecidos feitos com algas
Foto: GEOFFROY VAN DER HASSELT/AFP
JNTAG - Vários materiais, várias texturas, várias opções, desde fibras recicladas a tecidos feitos com algas. A tecnologia também avança e hoje podemos falar de têxteis inteligentes. É todo um mundo pronto a vestir e pronto a surpreender.
Folhas de abacaxi e redes de pesca
O discurso de materiais sustentáveis entranhou-se no universo da moda. Os panos já não são o que eram. E há todo um novo vocabulário. Falamos de fibras recicladas como poliéster feito de garrafas de plástico, nylon criado de redes de pesca, algodão que reaproveita o que é desperdício têxtil. Falamos de um material alternativo ao couro feito de fibras de folhas de abacaxi com o nome Piñatex, que é forte, leve e flexível. Falamos também de couro de cogumelos, biodegradável e com menor impacto ambiental do que o animal. Falamos de tecidos feitos com algas. E falamos ainda de tecidos totalmente fabricados com roupas descartadas. Dos pés à cabeça. Todas as possibilidades que existem, e as que estão por nascer, redefinem toda a nossa experiência de vestir e a própria perspetiva que temos do mundo da moda.
3D e fabricação digital
A tecnologia pula e avança e o setor da moda não fica de braços cruzados. Desde logo, a impressão 3D veio revolucionar a produção ao permitir criar peças à medida e, deste modo, reduzir o desperdício de material. Depois, a fabricação digital dá asas à criatividade, e estilistas e designers experimentam o que querem: novas formas, novas texturas, estruturas impossíveis de alcançar de outras maneiras. É o poder do digital.
A nanotecnologia entra em ação com as nanopartículas que têm as suas virtudes, nomeadamente desenvolver tecidos mais resistentes a manchas, mais impermeáveis, que garantem uma maior proteção dos raios ultravioletas, mais biodegradáveis. Tudo junto melhora a funcionalidade e durabilidade das peças que vestimos.
Cânhamo e algodão orgânico
Falamos em têxteis inteligentes quando falamos de tecidos com novas funcionalidades, que surpreendem, que vão além do que todos esperam. Exemplos? Roupas capazes de responder a estímulos externos, como é o caso da mudança de temperatura. Ou roupas que monitorizam sinais vitais e materiais que mudam de cor consoante o sol.
Falamos em materiais regenerativos quando nos referimos a fibras naturais e orgânicas que respeitam a terra e a biodiversidade, como o algodão orgânico e o cânhamo. E falamos de moda circular quando as peças que vestimos são pensadas para serem reutilizadas e recicladas. Tudo em nome de uma moda mais responsável, sustentável, ecológica.
Stella e os componentes vegetais

Foto: Henry Nicholls/AFP
Stella McCartney, estilista de moda britânica, tem um portefólio bem-composto de produtos inovadores. A saber: usa materiais de origem vegetal, como couro de cogumelo e de uva, usa pele sintética com uma percentagem considerável de componentes de plantas para costurar casacos, bioplásticos em solas de sapatilhas, algodão orgânico com elasticidade de borracha natural em calças de ganga, resíduos de banana em bolsas de luxo. Como se não bastasse, apresentou duas soluções tecnológicas na mais recente Semana de Moda de Paris, no mês passado. Uma chama-se "Fevvers" e é um novo produto à base de plantas, alternativa vegetal às penas. Outro é "Pure.Tech", tecido programável capaz de absorver poluentes que andam pelo ar.
Be@t, programa nacional
O programa Be@t é um projeto de bioeconomia sustentável liderado pelo Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário de Portugal (CITEVE). Empresas, universidades e centros tecnológicos, num conjunto de 54 entidades, trabalham para transformar a indústria têxtil. No plano, está o desenvolvimento de novas matérias-primas em alternativa às de origem fóssil, novas tecnologias de fabrico e processamento que promovam a circularidade e reutilização de fibras e resíduos. Trata-se de um projeto ambicioso que promete alterar o paradigma neste setor a partir de recursos biológicos.
É moda, é tendência
A revolução no mundo da moda veio para ficar. Quem imaginava, há uns anos, estarmos agora a falar da possibilidade de produzir um material a partir de bactérias? Ou de tecidos de algas marinhas? Ou termos uma impressora que faz roupa? O futuro passa por aqui, por desenvolver novos materiais que combinam inovação, estética e sustentabilidade. E não só. Procuram-se novos materiais que reduzem a dependência de recursos animais, diminuem a pegada de carbono, minimizam o impacto ambiental. São os desafios do nosso tempo por um Mundo mais justo, ético e saudável. É moda, é tendência.
