Desmantelada rede de tráfico de cocaína que operava a partir do Aeroporto de Lisboa

Rede de tráfico de cocaína operava a partir do Aeroporto de Lisboa
Foto: Reinaldo Rodrigues/Arquivo
Uma operação da PJ, em articulação com. a Autoridade Tributária, desmantelou uma rede internacional de tráfico de droga que operava a partir do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. Foram detidos o cabecilha, um operacional e uma "mula" usada na operação.
O caso teve início em março de 2025, após uma operação de fiscalização ter detetado cerca de 1648 gramas de cocaína, dissimulados em produtos alimentares, numa mala proveniente de um país africano. A bagagem não foi levantada pelo passageiro titular, mas, sim, posteriormente, por um terceiro, que se suspeita ser uma "mula". Acabou detido em flagrante delito, tendo ficado em prisão preventiva.
A investigação prosseguiu e conseguiu identificar "o principal responsável pela operação, que coordenava os movimentos à distância através de aplicações de comunicações encriptadas, emitindo instruções detalhadas sobre a recolha da bagagem e os locais de espera", informa a PJ em comunicado.
O alegado cabecilha foi detido em Sintra, na posse de produto estupefaciente. Também o passageiro em nome de quem a bagagem tinha sido despachada foi localizado e detido no Algarve, "reforçando a abrangência da operação".
Avultados movimentos financeiros
A PJ apurou ainda a existência de avultados montantes financeiros em contas bancárias associadas ao principal suspeito sem correspondência com rendimentos lícitos conhecidos. Confirmou-se ainda que o suspeito principal já possuía antecedentes, incluindo detenções anteriores na posse de produto estupefaciente, arma branca de grandes dimensões e botijas de óxido nitroso.
Os detidos serão apresentados a primeiro interrogatório judicial para aplicação das respetivas medidas de coação. A investigação prossegue.
Segundo a PJ, "o presente caso insere-se num contexto de criminalidade altamente organizada, caracterizado por planeamento rigoroso, compartimentação de funções e métodos destinados a dificultar a ação das autoridades". Estas redes estruturadas recorrem de forma reiterada a terceiros para execução de tarefas de maior risco, como transporte, recolha ou entrega de estupefacientes, procurando afastar os responsáveis do contacto direto com a droga.
Recurso a "mulas" em situação de vulnerabilidade
"Estes intermediários, vulgarmente conhecidos por "mulas", são frequentemente em situação de vulnerabilidade económica ou social, aliciados com promessas de ganhos rápidos. Embora conscientes da gravidade do crime, assumem os maiores riscos e a exposição penal mais imediata, sendo tratados pelas redes criminosas como facilmente substituíveis", sublinha a PJ.
Aquela polícia "aconselha todos os cidadãos a recusarem qualquer pedido para transportar, guardar ou levantar bagagens, encomendas ou bens em nome de terceiros, sobretudo quando associados a compensações financeiras, instruções pouco claras ou promessas vagas, lembrando que a aceitação destes pedidos pode ter consequências criminais graves, independentemente do grau de envolvimento".

