
Quinta de Armando Pereira em Vieira do Minho que está a ser alvo de buscas tem 15 hectares
Foto: Joaquim Gomes
As autoridades judiciárias estão a realizar novas buscas às casas de Armando Pereira e Hernâni Vaz Antunes, arguidos no âmbito da Operação Picoas, centrada no grupo Altice. Ao que tudo indica as diligências estarão relacionadas com factos praticados em França.
Ao que o JN apurou, cerca de uma centena de operacionais, incluindo procuradores do Ministério Público e inspetores da Autoridade Tributária, acompanhados de responsáveis judiciários franceses e auxiliados por agentes da PSP efetuaram buscas domiciliárias nas casas luxuosas do co-fundador da Altice e do seu braço-direito. O aparato policial centrou-se na residência de Armando Pereira, na Quinta das Casas Novas, freguesia de Guilhofrei, em Vieira do Minho, mas estendeu-se também à moradia do seu sócio, Hernâni Vaz Antunes, na freguesia de Gualtar, concelho de Braga.
As diligências surgem na sequência de outras buscas realizadas em novembro do ano passado, em França, onde Armando Pereira estará a ser investigado por corrupção no setor privado Em Portugal, o ex-patrão da Altice e um dos principais arguidos da Operação Picoas, é suspeito de ter desfalcado a empresa.
O JN contactou Rui Patrício advogado de Armando Pereira que não quis fazer comentários, salientando que o processo se encontra em segredo de justiça.
Em causa estarão negócios entre os empresários Armando Pereira e Hernâni Vaz Antunes, relacionados com o Grupo Altice, como a compra da Portugal Telecom e outras negociações e contratos envolvendo ao todo várias centenas de milhões de euros.
Novas buscas dois anos e meio depois
Uma Decisão Europeia de Investigação (DEI) promovida pelo Ministério Público permitiu reciprocidade entre as autoridades policiais portuguesas e francesas, pelo que mais de dois anos e meio depois, as buscas voltaram quase todas aos mesmos locais.
Esta quinta-feira as buscas seguiram-se à anterior operação da Polícia Judiciária Francesa, já em meados de novembro de 2025, que consistiram em 15 buscas domiciliárias e em 15 buscas empresariais, em várias regiões de França, ligadas ao Grupo Altice.
O empresário Armando Pereira, natural de Vieira do Minho, que desde a juventude divide as suas atividades entre Portugal e França, foi um dos principais visados pela Polícia Judiciária Francesa, que confiscou 15 milhões de euros em contas bancárias.
Nessas buscas em França estiveram, entre outros investigadores criminais, o inspetor tributário bracarense Paulo Silva, que já tinha trabalhado com o procurador-geral-adjunto Rosário Teixeira em diversas operações, além das denominadas Picoas I e II.
"Vasto sistema de corrupção"
Segundo o Parquet National Financier" (PNF), o equivalente ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) português, estará em causa "um vasto sistema de corrupção por atos descritos, em particular, como corrupção privada, fraude organizada e lavagem de dinheiro organizada, em detrimento do grupo Altice".
Ainda de acordo com o Ministério Público francês, que abriu a investigação dois meses depois da detenção de Armando Pereira em Portugal, o esquema "baseia-se numa rede de empresas de fachada interpostas entre a Altice e certos fornecedores, o que permitiu a sobrefaturação de serviços e bens". O dinheiro da sobrefaturação seria depois canalizado para circuitos internacionais de branqueamento de capitais.
Recorde-se que, em junho de 2023, o MP português lançou a Operação Picoas que envolveu cerca de 90 buscas e que resultou na detenção de Armando Pereira, do seu alegado braço-direito, Hernâni Vaz Antunes. Ambos saíram em liberdade sob caução, que já não está em vigor.
Armando Pereira está indiciado pelo Ministério Público (MP) de 11 crimes, entre os quais seis de corrupção ativa e um de corrupção passiva no setor privado, além de quatro de branqueamento de capitais e crimes não quantificados de falsificação de documentos.

