Portugal congela 25 milhões de euros devido a branqueamento ou violação de sanções contra a Rússia

Cerca de 25 milhões de euros estão congelados
Foto: Carlos Carneiro / Arquivo
Cerca de 25 milhões de euros estão congelados em contas bancárias em Portugal devido à violação de sanções contra a Rússia ou por suspeitas de branqueamento de capitais, principalmente no setor imobiliário de luxo. Os casos envolvem empresários russos, incluindo pessoas próximas de Vladimir Putin, e até mesmo portugueses e ucranianos, numa tentativa de mascarar o esquema.
O Ministério Público (MP) tem 26 inquéritos "relativos à violação de medidas restritivas" que entraram em vigor após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), citada pelo "Expresso". "Estão congelados, em saldos de contas bancárias, cerca de 25 milhões de euros", acrescentou a PGR.
São investigados casos de branqueamento de capitais com cidadãos russos, incluindo Tatyana Golikova, vice-primeira-ministra russa desde 2018 e casada com o antigo ministro da Indústria de Moscovo, Viktor Khristenko. O nome do filho de Golikova surge como beneficiário em negócios feitos em Portugal. O caso da aliada de Putin, que envolveu imóveis de luxo em Cascais, foi denunciado pelo ativista russo Georgy Alburov, da Fundação Anticorrupção (FBK), criada por Alexei Navalny.
Yulia Sereda, ex-dirigente num banco privado russo, foi alvo de buscas pelo MP e a Polícia Judiciária, este ano, no seu apartamento de luxo, no centro de Lisboa. Uma transferência de 800 mil euros para a compra de um imóvel em Cascais foi bloqueada e um cofre pessoal num banco foi arrombado pelas autoridades, revelara a revista "Sábado".
Segundo o "Expresso", citando autoridades, empresas russas usam como testas de ferro empresários portugueses e até cidadãos ucranianos, numa tentativa de esconder a origem do dinheiro.
O Serviço de Informações de Segurança (SIS), numa resposta ao semanário, afirmou que "tem acompanhado e avaliado a presença em Portugal de elementos conotados, direta ou indiretamente, com o regime de Vladimir Putin" e que, "em várias ocasiões, a atividade desses indivíduos, normalmente empresários ou investidores, pode ser enquadrada no contexto do branqueamento de capitais e evasão de sanções impostas à Federação da Rússia".

