
Mário Machado continuava a liderar Grupo 1143 a partir da prisão
Foto: André Rolo /Arquivo
Cinco dos 37 arguidos detidos na Operação Irmandade vão ficar em prisão preventiva, determinou esta manhã de sábado um juiz do Tribunal Central de Investigação Criminal de Lisboa. Os restantes elementos do Grupo 1143, de ideologia ultranacionalista e nazi, vão aguardar o desenrolar do processo em liberdade.
Todos os 32 arguidos libertados ficam proibidos de contactar entre si e com obrigação de apresentações periódicas às autoridades, exceto três deles que ficam apenas com termos de identidade e residência a que já estavam anteriormente sujeitos.
Na tarde de ontem, sexta-feira, o Ministério Público (MP) tinha pedido prisão preventiva para oito dos arguidos. Na véspera, os arguidos detidos foram sujeitos ao primeiro interrogatório judicial e, sabe o JN, seis aceitaram prestar declarações. Todos os outros remeteram-se ao silêncio.
O juiz Nuno Dias Costa decidiu que a medida de prisão preventiva se revelava necessária para cinco dos arguidos, com fundamento nos perigos alegados pelo MP de continuação da atividade criminosa e perturbação grave da tranquilidade e ordem públicas.
Os restantes arguidos irão ficar sujeitos a medidas de coação não privativas da liberdade. Ontem, Mário Machao, o líder do grupo, ficou a saber que terá de cumprir uma pena de quatro anos de cadeia, resultado do cúmulo jurídico de duas condenações por discriminação e incitamento ao ódio e violência.
Os 37 arguidos, incluindo militantes do Chega, um polícia de Setúbal e um militar da Força Aérea, tinham sido detidos na passada terça-feira por suspeitas dos crimes de discriminação e incitamento ao ódio e violência, ameaça e coação agravada, ofensas à integridade física qualificada e detenção de arma proibida. Quinze outras pessoas foram também constituídas arguidas pelas autoridades.
Segundo a investigação da PJ, o Grupo 1143, que era liderado por Mário Machado, mesmo a partir da prisão, pretendia constituir uma milícia armada para travar uma alegada ameaça islâmica e lançar uma "guerra racial".
Esta semana foi lançada uma megaoperação que culminou em várias detenções e dezenas de buscas, em todo o país. Foram apreendidas várias armas e "material de propaganda e merchandising alusivo à ideologia de extrema-direita violenta, nomeadamente neonazi, bem como armas diversas".

