PSP fecha restaurante por falta de higiene. No piso superior viviam 35 imigrantes sem condições

Espaço onde viviam os 35 trabalhadores do restaurante
Foto: Comando Metropolitano de Lisboa da PSP
O restaurante asiático do Cacém onde cerca de 300 adeptos do Benfica participaram num tumultuoso jantar de Natal, com incidentes que chegam amanhã a julgamento, foi encerrado pelas autoridades, devido a graves falhas de higiene e segurança alimentares. Na ação de fiscalização, a 5 de março, também foi descoberto um alojamento improvisado, no piso superior do edifício, onde viviam 35 imigrantes, trabalhadores do estabelecimento, sem condições mínimas de habitabilidade nem de higiene.
Durante a inspeção ao restaurante bufete, os inspetores encontraram grandes quantidades de alimentos armazenados em más condições. Alimentos que se estragam facilmente estavam guardados em recipientes impróprios, havia produtos diretamente em contacto com o chão e crus em contacto com outros confecionados.
Este é o mesmo restaurante que já havia estado envolvido noutra ocorrência em dezembro de 2024, quando cerca de 300 elementos da claque No Name Boys, associada ao Sport Lisboa e Benfica, lançaram engenhos pirotécnicos no interior do estabelecimento. O incidente motivou a intervenção da PSP e, na altura, um agente ficou ferido.
As autoridades detetaram ainda produtos armazenados a temperaturas inadequadas, equipamentos de refrigeração sobrelotados e sem controlo de temperatura e alimentos congelados sem qualquer tipo de origem identificada. Em várias zonas de preparação, as superfícies estavam degradadas, os utensílios não estavam devidamente limpos e havia restos de comida acumulados nas áreas onde os alimentos eram preparados, descreveu a PSP.
Tendo em conta a gravidade das falhas de higiene, o restaurante foi imediatamente encerrado pela polícia, que também apreendeu 1.826 quilos de produtos alimentares que não estavam em condições de ser consumidos.
Habitação imprópria
Nos pisos superiores do edifício, as autoridades descobriram vários alojamentos improvisados, onde viviam 35 trabalhadores do restaurante, de nacionalidade estrangeira.
Segundo a Polícia de Segurança Pública (PSP), o local, sem qualquer tipo de licença para servir de habitação, tinha divisões improvisadas, falta de ventilação e de condições de higiene e estava sobrelotado.
Dois dos moradores do espaço foram notificados para abandonar voluntariamente o país, por se encontrarem ilegais em Portugal.
Após o encerramento determinado pelas autoridades, foi colocado na porta do restaurante um aviso a indicar que o espaço se encontrava encerrado temporariamente devido a uma "rotura do gás" e que assim permanecerá até ao próximo dia 12 de março, constatou no local o JN.
A fiscalização foi coordenada pela Divisão Policial de Sintra da PSP, com a participação da Autoridade de Saúde Pública, a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), a Autoridade veterinária Municipal, a Fiscalização Municipal, a Ação Social Municipal, a Polícia Municipal e a Polícia Judiciária.
