
Renato Seabra já não está na ala psiquiátrica do Hospital de Bellevue onde permaneceu nos últimos três dias, sujeito a avaliações psicológicas. O modelo português, acusado do homicídio de Carlos Castro, foi transferido para a ala prisional até ser presente a um juiz.
As autoridades médicas findaram as perícias a Renato Seabra, de 21 anos, pelo que ontem foi já transferido para a ala prisional do hospital, onde permanecerá sob detenção até ao primeiro interrogatório judicial que deverá ocorrer nos próximos dias.
A mãe de Renato Seabra, Odília Pereirinha, voltou, ontem, ao Hospital Bellevue, mas ainda não teve a oportunidade de contactar com o filho. Aliás, tal não deverá acontecer até o jovem modelo ser acusado formalmente do homicídio, em segundo grau, de Carlos Castro, de 65 anos.
A família de Renato Seabra já contratou um advogado. Paula Fernandes (causídica que serve de ponte entre Portugal e o advogado contratado nos EUA), afirmou, ontem, ao JN, que "nada é oficial. Agora", acrescentou, "o importante é apurar a verdade, saber se foi o Renato que fez aquilo. Se foi ele, tem que haver factos muitos graves como antecedentes"
Tribunal de júri decidirá
O juiz que fará o primeiro interrogatório judicial vai decidir apenas se Renato Seabra aguardará julgamento em liberdade, mediante o pagamento de uma fiança, sendo esta, no entanto, uma situação pouco provável, ou se permanecerá detido. Depois, caberá ao Ministério Público fazer uma investigação para levar o caso a tribunal e defender a acusação perante um grande júri. Isso deverá ocorrer dentro de uma ou duas semanas após a primeira inquirição judicial. Esse júri, de 22 cidadãos norte-americanos, tomará a decisão de levar ou não o arguido a julgamento. Em casos de homicídio com os contornos actuais, o mais provável é que esse júri confirme a tese da acusação e que o julgamento do modelo português seja marcado no espaço de seis meses.
Amiga ouvida durante oito horas
Mónica Pires, que deu o alerta depois do atraso de Carlos Castro para um encontro, foi ouvida durante quase oito horas pelas autoridades norte-americanas. A filha do jornalista Luís Pires, amigo de Carlos Castro, recordou ao procurador da República de Nova Iorque e aos investigadores que estão a acompanhar o caso o momento em que se cruzou com Renato Seabra, no hall do Hotel Intercontinental. "Perguntaram-me o que tinha vestido, como é que achei o estado dele, se estava limpo, como estava o cabelo, se parecia que estava drogado", disse, revelando que poderá voltar a ser chamada pelas autoridades.
Entretanto, duas irmãs de Carlos Castro viajaram, ontem, para Nova Iorque, onde deverão fazer o reconhecimento do corpo e a prova dos desejos em vida do jornalista, junto das autoridades: que as suas cinzas fiquem em Nova Iorque. Para isso, levarão o livro autobiográfico de Carlos Castro como meio de prova para depois procederem às cerimónias fúnebres. O seu corpo poderá ser cremado hoje.
