Rutura no sistema de abastecimento de água interrompe julgamento por tráfico de pessoas

Foto: Teixeira Correia
Uma rutura no sistema de abastecimento público de água, na manhã desta terça-feira, na cidade de Beja, levou ao adiamento da quinta sessão do julgamento do processo judicial "Operação Espelho II".
A rutura ocorreu cerca das 8.45 horas na Rua Capitão João Francisco de Sousa, no Centro Histórico da cidade, o que levou a corte no abastecimento de água na zona adjacente ao local da ocorrência onde se localiza o Tribunal de Beja. A falta de condições de higiene e salubridade levou a que o coletivo de juízes não realizasse a sessão por não existirem garantias da hora a que a situação fosse ultrapassada. Num processo onde se julgam a falta de condições em viviam os trabalhadores explorados pela rede que se senta no banco dos réus, o julgamento foi suspenso e remarcado para quarta-feira.
Após a suspensão do julgamento, o JN deslocou-se ao local onde a rutura tinha acontecido, verificando que a mesma tinha sido entretanto reparada, situação que foi confirmada pena Empresa Municipal de Águas e Saneamento (EMAS) de Beja.
A audiência de Luís Gonçalves, inspetor da Unidade Nacional Contraterrorismo (UNCT-PJ), que coordenou a operação levada a cabo em 22 de novembro de 2022, que esteve na base da "Operação Espelho" um ano depois, ficou adiada a data a remarcar.
No processo estão a ser julgadas 22 pessoas, pela prática dos crimes de tráficos de pessoas, associação criminosa, auxílio à imigração ilegal, associação de auxílio à imigração ilegal e branqueamento de capitais. Em julgamento estão 17 cidadãos estrangeiros e cinco portugueses, com idades compreendidas e entre os 28 e os 57 anos, oito dos quais em prisão preventiva. Riorita Snigureac uma arguida moldava, contra quem tinha sido emitido mandado de detenção para condução a tribunal para ser julgada, não foi localizada em Portugal. Da operação resultou a identificação cerca de meia centena de vítimas exploradas no trabalho agrícola, tendo o Ministério Público (MP) do DIAP Regional de Évora, descrito na acusação que a atividade da rede se desenvolveu entre 2019 e 2023, e que era a arguida Ileana M., uma cidadã romena de 45 anos, que liderava todas as ações do grupo.
O MP pede que, caso venham a ser condenados pela prática do crime de tráfico de pessoas, nove arguidos, sejam expulsos de território nacional e que as 13 empresas arguidas, sejam interditas de exercer qualquer atividade, sem prejuízo de serem dissolvidas.
