
Adeptos do Sporting atearam fogo às viaturas em que seguiam os elementos do clube rival
Foto: Direitos Reservados
O Ministério Público acaba de acusar sete adeptos do Sporting Clube de Portugal de tentativa de homicídio qualificado de cinco adeptos do Futebol Clube do Porto, na sequência de incidentes ocorridos no dia 10 de junho, junto a um semáforo no Lumiar, em Lisboa, após um jogo de hóquei em patins entre os dois clubes.
Segundo anunciou esta segunda-feira a Procuradoria da República da Comarca de Lisboa no seu sítio oficial na Internet, além de cinco crimes de homicídio qualificado, na forma tentada, os arguidos vão responder pela prática, em coautoria, de dez crimes de ofensas à integridade física qualificadas, um crime de incêndio, cinco crimes de roubo (um qualificado e consumado e quatro na forma tentada) e três crimes de dano qualificado.
De acordo com a acusação, deduzida na quarta-feira, os arguidos executaram um "plano" que visou atear fogo às viaturas em que seguiam os elementos do clube rival, "o que conseguiram concretizar relativamente a um dos veículos", não lhes permitindo que saíssem, desferindo pancadas e bastonadas, apedrejando as vítimas e os carros e apropriando-se de objetos de valor que os mesmos tivessem na sua posse.
Devido ao incêndio, que acabou por destruir totalmente o veículo, alguns dos ofendidos sofreram lesões por queimaduras e tiveram necessidade de atendimento médico urgente em unidade hospitalar. Após os crimes, os suspeitos puseram-se em fuga, mas vieram a ser detidos, em momentos distintos, por inspetores da Polícia Judiciária na operação batizada "Tiffo".
A investigação acredita que este grupo de homens, com idades compreendidas entre os 20 e os 30 anos, à margem do apoio ao Sporting, têm assumido comportamentos de extrema violência física contra elementos de claques de outros clubes. Aquando de uma das detenções, em setembro, a Judiciária sublinhou que a "atuação imediata da PSP" na altura "permitiu que os danos pessoais não fossem mais gravosos, impedindo a morte efetiva de adeptos do Futebol Clube do Porto."
Dos sete arguidos acusados, cinco estão em prisão preventiva e dois estão em prisão domiciliária.
Suspeitos detidos em momentos distintos após ataque violento
Após o conhecimento da ocorrência dos crimes, foi desencadeada uma investigação pela Polícia Judiciária, que contou, desde o primeiro momento, com a colaboração da PSP. No decurso das diligências iniciais, foram detidos três dos suspeitos envolvidos.
Posteriormente, foram recolhidos novos elementos probatórios que permitiram identificar e localizar, no dia 23 de setembro, mais quatro indivíduos suspeitos de comparticiparem na prática dos crimes. Já no mês de outubro, a Polícia Judiciária deteve um oitavo suspeito, que se encontrava em fuga às autoridades policiais desde a data dos factos.
Nas investigações foi apurado que os suspeitos integravam um grupo composto por cerca de dez homens, com idades entre os 20 e os 30 anos e que terá atuado de forma concertada, tendo planeado deliberadamente uma abordagem violenta e agressiva contra um grupo mais reduzido de adeptos pertencentes à claque do clube adversário.
Não obstante a identificação de oito suspeitos no âmbito do processo, apenas sete vieram a ser agora formalmente acusados pelo Ministério Público, na sequência da avaliação dos elementos de prova reunidos durante a investigação.

