
Miguel Pereira/Global Imagens
Em Famalicão havia tanto roubo, vandalismo e bruxaria junto às campas, que várias juntas de freguesia apostaram em câmaras, com bons resultados.
Seis cemitérios do concelho de Famalicão têm videovigilância para evitar furtos de floreiras, crucifixos, imagens e até velas, atos de vandalismo e rituais e para uma "maior segurança" de quem os visita.
A Junta de Calendário foi a primeira a recorrer a este método dissuasor, em 2020, com a instalação de seis câmaras. No ano seguinte foi a vez da freguesia de Antas.
O investimento tem resultado. "Há muito menos furtos, os rituais acabaram e as queixas são muito menos", diz Estela Veloso, presidente da Junta da União de Freguesias de Famalicão e Calendário, onde as queixas por furtos e os objetos que indiciavam rituais - como cabelos e sal - eram habituais. "Desde que temos câmaras apenas há quatro registos de furtos no cemitério e os rituais acabaram", diz Estela, destacando o novo "sossego" para a população e para a autarquia.
Apesar de os equipamentos estarem em funcionamento há cerca de três anos e do aviso a alertar para a existência de videovigilância, ainda há quem não tenha reparado que está a ser filmado. Alertadas pelo JN, enquanto limpavam o jazigo dos pais, Lídia Ferreira e a irmã consideram uma boa solução. "Ficamos mais seguras. Ainda há pouco, estava a dizer para termos cuidado com as carteiras", contam. "Vimos aqui uma vez por semana, e nunca nos desapareceu nada, mas acho muito bem que o cemitério tenha câmaras", acrescentam.
Menos reclamações
Em Antas, a colocação de videovigilância ajudou, mas não resolveu o problema na totalidade. "As queixas eram tantas, até do furto de coisas sem valor, como velas", revela Manuel Alves, presidente da Junta de Antas e Abade de Vermoim. Apesar de não terem acabado, "o número de furtos baixou" porque "as pessoas sabem que estão a ser vistas".
Prova de que ainda há quem arrisque é o furto de que António Marques foi alvo. Deixou na sepultura da esposa uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, mas "passado oito dias alguém a roubou". Apesar da queixa na PSP, o ladrão ainda não foi descoberto, mas António acha que as câmaras podem dissuadir. "Já coloquei outras imagens e essas ainda cá estão", aponta.
Além de Antas e Calendário, também Abade Vermoim, Bente, Carreira e Vermoim têm videovigilância. Os presidentes da União de Freguesias de Carreira e Bente, Liliana Ribeiro, e da Junta de Vermoim, Bruno Cunha, consideram que as câmaras têm surtido efeito.
Segundo os autarcas, os pedidos de pareceres e autorizações necessários, nomeadamente da Comissão de Proteção de Dados, foram feitos pelas empresas que estão legalmente autorizadas para a colocação do sistema.
Os consentimentos acontecem porque se trata da proteção de edifícios públicos e de pessoas e bens em locais públicos.
Os exemplos de Vila de Prado e Gafanha do Carmo
Para além de Famalicão, outras juntas colocaram videovigilância nos cemitérios. Foi o caso da Vila de Prado, em Vila Verde. Uma noite de vandalismo e de tentativa de furto de dezenas de imagens preocuparam população e Junta, que não hesitou em investir no sistema de segurança, em novembro de 2022. O autarca Albano Bastos diz que a situação não se repetiu. Na Gafanha do Carmo, em Ílhavo, o cemitério chegou a ser vigiado durante 10 anos, mas o sistema ficou "obsoleto" e foi desativado. "Não sentimos necessidade de investir noutro porque não há roubos, mas se for preciso avançamos", diz o autarca Luís Diamantino.
