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Bom samaritano morto por sem-abrigo deixa mulher e dois filhos

Bom samaritano morto por sem-abrigo deixa mulher e dois filhos

Carlos Rocha morreu a socorrer uma francesa ameaçada por um sem-abrigo no centro do Porto. Deixa mulher e dois filhos. "Era das melhores pessoas que tinha como cliente", garante comerciante.

"Já sabia que, um dia, algo mau ia acontecer", lamenta Miguel Barata, do café Delícia da Firmeza. "O sem-abrigo já tinha sido violento connosco e causado desacatos, mas continuava a andar por aí", critica o comerciante. Carlos Rocha, 63 anos, sabia do historial agressivo do homem, mas mesmo assim, na manhã de dia 10, interveio para defender uma mulher que estava a ser insultada e perseguida por ele, na rua da Firmeza, no Porto.

Carlos foi agredido com um paralelo na cabeça e perdeu os sentidos. Cinco dias depois morria no Hospital de São João, no Porto. Deixa uma mulher e dois filhos, ainda jovens.

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Natural de Espinho

Há cerca de três anos, Carlos tinha trocado a sua Espinho natal pelo centro do Porto. O gestor de empresas morava em Santos Pousada e ia todos os dias à Delícia da Firmeza tomar café e comprar pão.

"Era das melhores pessoas que tinha como cliente. Não estou a dizer isto porque morreu. É mesmo verdade", garante Miguel Barata, lamentando pela mulher e pelos dois filhos da vítima.

O funeral de Carlos Rocha realiza-se esta sexta-feira, pelas 10 horas, na Capela Mortuária Espinho, seguindo depois o corpo para o cemitério local.

Francesa traumatizada vai mudar de casa

A cidadã francesa de 29 anos que estava a ser perseguida pelo sem-abrigo quando passeava o cão não era uma turista como chegou a ser noticiado. A mulher reside no centro do Porto já há alguns anos e terá ficado bastante traumatizada com o sucedido. Já confidenciou que vai mudar de casa pois não consegue voltar a andar naquela zona da cidade.

"Extremamente violento"

Miguel Barata conta que o sem-abrigo, de 54 anos, que pernoitava num jardim em Santos Pousada, já tinha causado vários problemas e era "extremamente violento". Por isso não compreende como andava à solta na rua. "Eu não culpo a polícia, porque eles vêm sempre que são chamados, mas tem que se arranjar uma solução para estas pessoas. Não podem andar por aí a ameaçar pessoas", lamenta.

Uma moradora que não quis ser identificada reforça a mesma ideia. "Via-se que ele tinha problemas psiquiátricos e estava descompensado. Infelizmente foi preciso uma tragédia para fazerem algo".

Perseguiu mulher com paralelo na mão

No passado dia 10, o sem-abrigo implicou com uma francesa de 29 anos que passeava com o cão. Desatou a insultá-la e a persegui-la com uma pedra na mão. A mulher ficou aterrorizada. Carlos Rocha viu, não hesitou e rapidamente foi em sua defesa. Intrometeu-se entre os dois e a mulher conseguiu fugir para dentro da Escola de Hotelaria do Porto.

Carlos e o sem-abrigo envolveram-se fisicamente. O homem tinha um paralelo na mão e deu-lhe uma pancada seca na cabeça. Um casal de espanhóis que estava a passar interveio e separou-os. Carlos deu dois passos para trás, encostou-se a um carro e disse que não se estava a sentir bem. Que morava na rua de Santos Pousada e que avisassem o filho que estava em casa.

Pouco depois, Carlos perdeu os sentidos e caiu desamparado. Enquanto os meios de emergência não chegavam, populares ainda lhe fizeram manobras de reanimação. A ambulância do INEM demoraria 20 minutos a chegar. Carlos deu entrada no Hospital de São João com prognóstico muito reservado. Faleceria cinco dias depois, na tarde de dia 15 de agosto.

"Ele está a fingir"

O agressor, que terá problemas psiquiátricos, não aparentou ter noção do que tinha feito. Ficou no local e à chegada da PSP até indicou onde estava a vítima. Testemunhas contam que, enquanto Carlos estava no chão em paragem cardiorrespiratória, o sem-abrigo dizia "ele está a fingir" e "com betadine ou álcool isso passa".

O sem-abrigo foi detido pela Polícia Judiciária e após ter sido apresentado a primeiro interrogatório ficou em prisão preventiva. Os comerciantes ficaram aliviados com a medida mas lamentam que tenha que ter havido um desfecho tão trágico para algo ser feito pois o homem já tinha dado vários sinais de que era violento. "Identificaram-no várias vezes, mas ninguém fez nada. Deixaram-no à solta para depois matar uma pessoa", criticou uma moradora.

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