Vila Real

Diocese afasta padre após denúncia de abusos com 30 anos

Diocese afasta padre após denúncia de abusos com 30 anos

Sacerdote exercia em Pedras Salgadas, mas suspeitas têm a ver com tempo em que esteve em Colares. Participação ao MP e população surpreendida.

Um sacerdote que tinha a seu cargo três paróquias em Pedras Salgadas, Vila Pouca de Aguiar, diocese de Vila Real, foi afastado de todas as atividades pastorais depois de ter sido alvo de uma denúncia feita em Lisboa, por abusos sexuais cometidos há mais de 30 anos.

A decisão de retirar todas as funções pastorais ao padre Manuel José Moura Machado foi tomada por D. António Augusto de Azevedo, bispo de Vila Real. Também a decisão de revelar o nome do sacerdote em causa foi tomada pelo bispo que, na nota que publicou na página da diocese, tornou pública a identidade do visado.

Ao que tudo indica, os abusos terão ocorrido pouco tempo após a ordenação, em junho de 1985, quando o sacerdote, agora com 65 anos, trabalhava na paróquia de Colares. Na altura, a vítima era menor de idade e durante muitos tempo guardou segredo do que se passou. Agora, com a criação das comissões de proteção de menores, terá sentido confiança para denunciar o caso que a dioceses de Vila Real enviará para o Ministério Público (MP).

Ontem, em Bornes de Aguiar, paróquia que estava à responsabilidade do sacerdote, tal como as de Parada de Monteiros e Pensalvos, ninguém sabia do afastamento de Manuel Machado e a surpresa era o sentimento dominante. "Ui, o padre vai sair e ninguém nos diz nada", questionava uma moradora, "mais amiga do senhor padre do que do senhor bispo". As poucas pessoas que andavam na rua nada queriam dizer sobre o caso, a não ser que gostavam muito "do senhor padre".

Denúncia em Lisboa

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A denúncia apresentada contra o sacerdote foi dada a conhecer ontem pela Comissão de Proteção de Menores do Patriarcado de Lisboa, presidida por D. Américo Aguiar. Antes de ser tornada pública, foi comunicada ao bispo de Vila Real, "que informou ter iniciado uma investigação prévia e feito a comunicação às autoridades judiciais competentes", refere a comissão em comunicado.

Para além da investigação interna e do afastamento do sacerdote de todas as atividades pastorais, está ainda a ser elaborada a queixa a apresentar ao MP. A importância da data em que os alegados crimes ocorreram podem ser cruciais para o desenvolvimento do processo judicial.

Quanto ao processo canónico, pode correr independentemente da data em que se verificaram os abusos. "Em cumprimento das orientações em vigor, será iniciada uma investigação prévia e feita a comunicação às autoridades judiciais competentes", frisa ainda o bispo de Vila Real, que pede a Deus que "ampare as possíveis vítimas e os eventuais implicados neste caso".

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