Julgamento

Homicídio no Algarve: Maria atribui crime a ex-companheira

Homicídio no Algarve: Maria atribui crime a ex-companheira

Uma das mulheres acusadas da coautoria do homicídio de um homem em 2020, no Algarve, negou esta terça-feira em tribunal ter sido a autora da morte e acusou a ex-companheira pelo crime, alegando que mentiu no primeiro interrogatório judicial.

Maria Malveiro, segurança de profissão e colega de trabalho da vítima, disse ao tribunal de Portimão que pretendia contar a sua versão dos factos e pediu que a ex-companheira, Mariana Fonseca, saísse da sala, justificando que não se sentia confortável com a sua presença.

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Ao falar pela primeira vez na audiência do julgamento, Maria Malveiro negou que tivesse sido ela a matar e a desmembrar o corpo de Diogo Gonçalves, acusando a ex-companheira, enfermeira, de ter agido "por ciúmes" e de ter "asfixiado e posteriormente desmembrado o corpo do jovem".

"A Mariana dizia ter ciúmes do Diogo, sempre foi uma pessoa ciumenta e possessiva. Começou a ser mais a partir do momento em que lhe contei da indemnização que o Diogo ia receber. Os ciúmes dela aumentaram e ela quis roubá-lo. Ela queria apoderar-se do dinheiro dele e começou a encher-me a cabeça com esses pensamentos. Deixei-me levar pelo que ela disse", começou por referir ao tribunal.

Maria Malveiro alegou que tinha mentido no primeiro interrogatório judicial, quando assumiu ter matado e desmembrado o corpo: "Desde o início tentei proteger a Mariana e quis fazer tudo para que ela não fosse presa. Pus o amor à frente de tudo", declarou.

A arguida disse ter sido ela quem misturou o fármaco Diazepam com sumo de laranja e o deu a beber a Diogo, medicamento que "foi fornecido pela Mariana e furtado do hospital de Lagos, onde [a enfermeira] trabalhava".

"Ela disse-me para misturar com algum líquido, porque ele ia adormecer, e foi isso que fiz. Só que ele não ficou logo sonolento. Ela então disse-me para lhe fazer um mata leão [golpe de asfixia] para o adormecer e tirar-lhe o cartão [bancário]", apontou.

Segundo a arguida, ao ver o jovem inconsciente, ainda tentou reanimá-lo mas não o conseguiu, o que a levou a pedir ajuda à então companheira: "Pedi para a Mariana fazer a reanimação e saí da casa para fumar um cigarro".

"Quando voltei, ela tinha as mãos à volta do pescoço [da vítima]. Perguntei o que estava a fazer, ela respondeu que ele assim já não se metia no meio de nós. Perguntei se estava morto e ela disse que sim", afirmou.

Maria Malveiro disse em tribunal que "nunca pretendeu fazer mal ao rapaz", até porque "gostava dele", descrevendo-o como "uma pessoa dócil" que nunca lhe "faltou ao respeito".

Este depoimento contradiz aquele que foi prestado ao juiz de instrução criminal aquando da sua detenção, ocasião em que afirmou que o seu envolvimento no crime tinha por objetivo "a vingança por uma tentativa de violação".

A arguida atribuiu também à ex-companheira a autoria posterior do desmembramento do cadáver de Diogo Gonçalves, admitindo que ajudou apenas "a transportar o corpo".

Alegou ainda que foi a ex-companheira a mentora da utilização do cartão bancário da vítima para efetuar levantamentos de dinheiro em caixas multibanco.

Confrontada com imagens captadas por câmaras de videovigilância em que surge a fazer levantamentos de dinheiro da conta da vítima, alegou que "foi sempre por indicação da Mariana".

"A minha intenção foi sempre protegê-la. Quis contar a verdade e isto foi a verdade", disse Maria Malveiro, que pediu perdão aos familiares e amigos de Diogo Gonçalves.

No seu depoimento na primeira sessão do julgamento, Mariana Fonseca tinha acusado Maria Malveiro de ter sido a autora do crime, traçado "através de um plano" para se apoderar do dinheiro que o jovem tinha recebido de indemnização pela morte da mãe.

As arguidas estão acusadas pelo Ministério Público (MP) dos crimes de homicídio qualificado, profanação de cadáver, dois crimes de acessos ilegítimo, um de burla informática, roubo simples e uso de veículo.

De acordo com a acusação, as mulheres terão atraído Diogo Gonçalves, de 21 anos, para casa de uma delas, onde o mantiveram sequestrado, com o objetivo de lhe extorquirem dinheiro, já que este tinha recebido 70 mil euros de indemnização pela morte da mãe, atropelada na zona de Albufeira, em 2016.

O julgamento prossegue durante a tarde no tribunal de Portimão.

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