Fiscalização

Investigada ligação entre amianto e cancros na PJ Braga

Investigada ligação entre amianto e cancros na PJ Braga

A anormal incidência de casos de cancro detetados entre os inspetores da Polícia Judiciária de Braga levou a Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC) a enviar uma participação à Provedoria de Justiça que levou a uma fiscalização, na segunda-feira, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), a fim de verificar a qualidade do ar no edifício.

Nos últimos 10 anos, houve pelo menos 12 casos de doença oncológica, com mortes, de pessoas que trabalharam no Departamento de Investigação Criminal da PJ de Braga.

De acordo com informações recolhidas pelo JN, os vários casos de cancro registados em investigadores que diariamente trabalhavam nas instalações da PJ de Braga causou alarme entre os polícias. A ASFIC decidiu recorrer à Provedoria de Justiça para alertar sobre estas desconfianças. Acredita existir relação entre os casos de doença e o amianto presente em vários edifícios devolutos existentes à volta do departamento.

Quatro anos para fiscalizar

"Temos uma incidência de casos de cancro muito acima da média. Nos últimos 10 anos, morreram ou tiveram problemas oncológicos pelo menos 12 funcionários do departamento de Braga. Não é normal. Vários morreram pouco depois da aposentação", explicou ao JN Francisco Figueiredo, dirigente da ASFIC, que lamenta o facto de as autoridades demorarem quatro anos para verificar a qualidade do ar nas instalações.

Em 2016, o Provedor de Justiça enviou uma recomendação ao Ministério da Justiça para averiguar a situação e tomar providências. Ontem, duas técnicas do INSA deslocaram-se ao edifício da PJ para fazer medições. Não se sabe quando serão conhecidas as conclusões da autoridade de saúde.

"Mais vale tarde do que nunca. Esperamos que o Ministério da Justiça tome as necessárias providências. Sabemos que não é um problema simples e que é preciso detetar a origem do problema, que pode não vir do nosso edifício", adiantou ainda Francisco Figueiredo.

PUB

Na zona do departamento de Braga da PJ existem vários edifícios, entretanto abandonados, que foram construídos há décadas, quando era comum utilizar placas de fibrocimento, com amianto.

"São vários pavilhões com falta de manutenção e que, no nosso entender, podem potenciar uma maior contaminação. Por isso, era imprescindível o INSA realizar estas medições", explica o dirigente sindical, sublinhando que a direção nacional da PJ tem procurado solucionar o problema.

3868 edifícios com necessidade de intervenção

Há duas semanas, o ministro do Ambiente revelava no Parlamento o balanço final de edifícios com necessidade de intervenção para a remoção de amianto. O número era de 3868. João Pedro Matos Fernandes falava na Comissão de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território, onde foi discutido o cumprimento dos objetivos traçados para remoção dos materiais de amianto dos edifícios públicos. Os dados de julho de 2019 mostravam que cerca de 84% dos edifícios com necessidade de intervenção eram do ministérios da Educação, da Defesa Nacional e da Justiça. Não é a primeira vez que polícias se queixam da relação entre a presença de amianto nas instalações e casos de cancro. Em 2014, a Associação Sindical dos Profissionais de Polícia da PSP denunciava que só em Viana do Castelo tinham sido registados 12 óbitos de agentes que trabalhavam num determinado edifício com amianto.

Novo edifício

Em 2018, aquando da tomada de posse do diretor da PJ do Porto, Luís Neves, o diretor nacional, reafirmou a vontade de mudança da PJ de Braga para um novo edifício. O processo de aquisição de um novo edifício está em curso e terá um desfecho dentro de apenas sete dias.

Processos

O departamento de Braga da PJ, que depende da Diretoria do Porto, tem um elevado número de processos-crime, em comparação com outros departamentos da mesma polícia. O atual edifício tem mais de 35 anos e nunca sofreu obras de remodelação.

Outras Notícias