Investigação

Líder da Comunidade Judaica do Porto detido pela PJ

Líder da Comunidade Judaica do Porto detido pela PJ

O líder religioso da Comunidade Judaica do Porto, Daniel Litvak, foi detido pela Polícia Judiciária, no âmbito da investigação sobre a obtenção de nacionalidade portuguesa por judeus sefarditas, apurou esta sexta-feira à tarde o JN.

A concessão da nacionalidade portuguesa ao empresário russo Roman Abramovich, em abril do ano passado, ao abrigo da Lei da Nacionalidade para os judeus sefarditas, é um dos casos abrangidos pelo inquérito criminal, que corre termos no Ministério Público do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (MP/DCIAP).

Segundo as informações recolhidas pelo JN, a detenção do líder religioso da Comunidade Judaica do Porto foi precipitada por este ter decidido sair do país. Terá sido detido no Aeroporto do Porto, nesta quinta-feira, quando se preparava para apanhar um voo para Israel, com escala em Munique, na Alemanha. Deverá ser apresentado a um juiz de instrução Criminal, este sábado, para aplicação de eventuais medidas de coação.

Após a notícia da detenção de Daniel Litvak, avançada pelo JN, a Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária veio confirmar que ontem, quinta-feira, deteve um suspeito. E acrescentou que, já esta sexta-feira, cumpriu mandados de busca domiciliária, não domiciliária e em escritório de advogado, "tendo por objeto os crimes de tráfico de influências, corrupção ativa, falsificação de documento, branqueamento de capitais, fraude fiscal qualificada e associação criminosa".

"Na sequência das buscas realizadas, foi apreendida vasta documentação e outros elementos de prova, tendo em vista a sua análise", acrescentou a Judiciária em comunicado.

O objeto da investigação prende-se com suspeitas sobre o aproveitamento ilícito, em particular pela Comunidade Judaica do Porto, do regime legal que foi aprovado para compensar descendentes de judeus sefarditas que foram expulsos de Portugal há mais de 400 anos, no período da Inquisição.

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O estudo genealógico dos requerentes é uma parte essencial do processo de obtenção de nacionalidade e foi delegado pelo Estado português às comunidades judaicas de Lisboa e do Porto.

Foi através da Comunidade Judaica do Porto, liderada pelo rabino Daniel Litvak, que foi legalizada a maioria dos requerentes, na ordem de dezenas de milhares.

Os responsáveis pela Comunidade Judaica do Porto vinham insistindo, perante as notícias da existência de uma investigação criminal, que não tinham nada a temer.

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