Tráfico

PJ também investiga caso do avião com 500 kg de cocaína

PJ também investiga caso do avião com 500 kg de cocaína

O ex-presidente do Boavista João Loureiro foi inquirido na sexta-feira pela Polícia Federal do Brasil (PFB), por ter sido passageiro de um jato privado onde foram apreendidos 500 quilos de cocaína, mas a Polícia Judiciária (PJ) portuguesa também já está a investigar o caso.

A apreensão da droga no Aeroporto Internacional de Salvador, dia 9, levou a PFB a iniciar logo uma investigação, no âmbito da qual ouviu João Loureiro na sexta-feira durante quatro horas a acedeu ao seu telemóvel. "Foram extraídos arquivos do celular [telemóvel], como mensagens e fotografias, com a autorização do passageiro, e serão analisados para ver se conferem o que foi declarado", indicou a PFB, acrescentando que Loureiro "apresentou a sua versão dos factos", que será agora "comparada com as demais provas do inquérito".

A PFB esclareceu ainda que Loureiro pode "regressar a Portugal quando quiser", mas "foi advertido a informar [de] qualquer mudança de endereço".

Por cá, a PJ entende que, apesar de a cocaína não ter chegado ao aeródromo de Tires, em Cascais, podem ter sido cometidos crimes nos atos preparatórios do transporte.

Ainda na sexta-feira, a PJ apreendeu em Tires um carro que pertencerá a Mansur Heredia, espanhol que viajou com Loureiro no jato da portuguesa Omni para o Brasil e deveria regressar também com ele.

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Caso a PJ identifique responsáveis pela encomenda, compra e transporte da droga, pode solicitar mais elementos à Justiça brasileira.

Loureiro pediu inspeção

Loureiro e Mansur foram os únicos passageiros do Falcon na viagem entre Portugal e Brasil. No regresso, a 9 de fevereiro, o avião descolou de um aeroporto de São Paulo, em direção a Salvador. Foi nesta viagem que o piloto do jato suspeitou de problemas no trem de aterragem e alertou a torre de controlo do Aeroporto Internacional de Salvador. Ali, os mecânicos detetaram droga, dissimulado em pacotes com inscrições de marcas conhecidas de vestuário desportivo como a Adidas ou a Nike.

João Loureiro declarou na sexta-feira ao JN que não tem nada a ver com aquela carga e que nem chegara a apanhar o voo em São Paulo, porque "tinha desistido de o fazer" e decidira "regressar a Portugal num voo comercial". "Estava em São Paulo quando tudo isso [a apreensão da droga] aconteceu em Salvador", asseverou, por mensagem escrita. Disse ainda, à Lusa, que a droga pode ter sido descoberta depois de ele próprio ter pedido ao comandante "uma inspeção rigorosa ao avião". Mas, à noite, na TVI, não quis esclarecer o que o levou a fazer isso.

Esta versão contraria informações recolhidas pelo JN, quinta-feira e ontem, segundo as quais teria feito o percurso entre São Paulo e Salvador e só não seguiu viagem para Portugal, com escala em Cabo Verde, por causa da PFB. Ainda segundo as mesmas fontes, João Loureiro, o espanhol e os três tripulantes teriam sido ouvidos na polícia de Salvador, tendo os dois primeiros, a seguir, regressado a São Paulo. Segundo o plano de voo da Omni, deveriam fazer a viagem entre Salvador e Tires mais cinco passageiros (ver texto ao lado).

Na sexta-feira, a empresa disse que ficou "surpreendida" com a apreensão. Em comunicado, confirma que a equipa de manutenção da Falcon chamada depois de ter sido detetado "um problema técnico" teve "necessidade de abrir um painel na fuselagem do avião, onde encontrou um volume afixado à estrutura interna", refere o comunicado. A Polícia Federal descobriu o resto da droga. A empresa não adianta mais pormenores, com a justificação de que o caso está "em segredo de justiça".

Novo jogador do Benfica esteve para embarcar

A mais recente contratação do Benfica, Lucas Veríssimo, figura na lista de passageiros do jato privado que deveria viajar de Salvador da Baía para Portugal mas foi intercetado com meia tonelada de cocaína, quando chegava de São Paulo. Ao JN, o Benfica confirmou que Veríssimo esteve no manifesto, mas disse que o clube optou por comprar um voo comercial, via Paris.

Além dos três tripulantes do jato, de João Loureiro e de um espanhol que já tinha feito com ele a viagem de Portugal para o Brasil, havia mais indivíduos com ligação ao mundo do futebol que deveriam ter apanhado o avião em Salvador da Baía, rumo a Tires: Bruno Geraldes Macedo, empresário que esteve envolvido no regresso do treinador Jorge Jesus ao Benfica; Hugo Cajuda, ex-futebolista e filho do treinador Manuel Cajuda; e Bruno André Carvalho dos Santos, agente que levou o treinador Abel Ferreira para o Palmeiras. O outro nome da lista de passageiros era Paulo Jorge Saturnino Cunha.

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