Alerta da Interpol

Português acusado de provocar explosão em Beirute foi detido no Chile

Português acusado de provocar explosão em Beirute foi detido no Chile

Jorge Moreira foi intercetado no aeroporto de Santiago, devido a um "alerta vermelho" da Interpol, e obrigado a regressar a Espanha. Explosão de 2700 toneladas de nitrato de amónio, em 2020, matou 215 pessoas.

O português acusado pelas autoridades libanesas de introduzir no país a matéria inflamável que provocou, em agosto de 2020, a explosão que matou 215 pessoas, no porto de Beirute foi, nesta quarta-feira, detido no Chile. Jorge Moreira, de 43 anos, foi intercetado pela polícia local ao chegar ao Aeroporto Arturo Merino Benitez, em Santiago, e reencaminhado para Madrid, em Espanha, cidade de origem do voo internacional.

Jorge Moreira era procurado pela Interpol, depois do Líbano ter pedido a sua detenção e extradição para aquele país árabe. O processo de extradição já foi, tal como o JN revelou, declarado extinto pelos tribunais portugueses, depois de Beirute não ter enviado, em tempo útil, a documentação necessária.

Obrigado a regressar a Espanha

A informação foi avançada pela imprensa chilena. Segundo os jornais locais, Jorge Moreira foi intercetado no aeroporto de Santiago durante o controlo migratório aos passageiros de um voo que partiu de Madrid. Nessa ocasião, os agentes do Departamento de Polícia Internacional do Aeroporto verificaram que o nome do português constava de um "alerta vermelho" emitido pela Interpol, por este ser suspeito de introduzir no Líbano os explosivos que causaram a tragédia do porto de Beirute.

De imediato, Jorge Moreira foi detido e, em seguida, posto num avião que o fez regressar a Espanha. "Esta pessoa foi impedida de entrar no país e levada de volta ao seu lugar de origem no mesmo avião. Antes disso, foi efetuada uma coordenação com o Gabinete Central Nacional da Interpol para que esta pessoa pudesse ser recebida em Espanha, de acordo com os regulamentos deste país", explicou, à comunicação social, o chefe da Polícia Internacional do Aeroporto, Christian Sáez Aguilera.

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O responsável da delegação da Interpol em Santiago, Maximiliano Macnamara, acrescentou que o caso será, agora, comunicado às autoridades libanesas. "Madrid e Lisboa também serão informadas, para que todos os países participantes sejam alertados", explicou Macnamara.

Acusado de homicídio intencional e de ato de terrorismo

Para os libaneses, Jorge Moreira é suspeito de introdução de matérias explosivas no país, homicídio intencional, ato de terrorismo levando à morte, danificação de máquinas com o objetivo de afundar embarcação causando várias mortes e intervenção criminal e contravenção, crimes que lhe podiam custar "uma pena máxima de prisão perpétua". Tudo porque foi ele que, enquanto funcionário da Fábrica de Explosivos de Moçambique, encomendou 2,7 toneladas de nitrato de amónio que nunca chegaram ao destino.

Oriundo da Geórgia, o composto químico usado como fertilizante na agricultura, mas que também é frequentemente utilizado no fabrico de explosivos para rebentar minas ou pedreiras, ficou retido no porto de Beirute e ali ficou armazenado durante seis anos. Até que um trabalho de manutenção ao portão do armazém 12, onde estava guardado o nitrato de amónio, causou, na manhã de 4 de agosto de 2020, aquela que foi considerada uma das maiores explosões não nucleares da história.

No verão do ano passado, quando o o Tribunal da Relação do Porto arquivou o pedido de extradição solicitado pelo Líbano, Jorge Moreira vivia em Paços de Ferreira, mas passava grande parte dos dias em Bragança, onde está sediada a empresa de produtos congelados na qual passou a exercer as funções de diretor/administrador após deixar, em 2016, os quadros da Fábrica de Explosivos de Moçambique.

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