Évora

Juiz liberta autarca suspeita de corrupção e proíbe-a de entrar na Câmara

Juiz liberta autarca suspeita de corrupção e proíbe-a de entrar na Câmara

O Juízo de Instrução Criminal de Évora decidiu, esta quinta-feira à noite, libertar a presidente da Câmara de Vila Real de Santo António, Conceição Cabrita, e os outros três arguidos detidos, na Operação Triângulo, mediante medidas de coação. Aquela autarca, que foi indiciada de prevaricação e de corrupção passiva de titular de cargo político, fica proibida de entrar nas instalações da Câmara e de contactar os funcionários e os demais arguidos.

As suspeitas sobre Conceição Cabrita, que já esta quinta-feira tinha adiantado a intenção de renunciar ao mandato autárquico, prendem-se com a venda de um terreno, em Monte Gordo, ao empresário Carlos Alberto Cipriano de Matos, representante da imobiliária Saint Germain e suspeito de corrupção ativa, que foi libertado mediante a prestação de uma caução de 300 mil euros e a proibição de contactos.

Os outros dois detidos, o funcionário municipal João Faustino e o empresário José Maria Cavaco Silva, foram indiciados de prevaricação e proibidos de contactar funcionários municipais e os outros arguidos do inquérito-crime.

A Polícia Judiciária do Sul suspeita que aqueles dois indivíduos e a presidente da Câmara de Vila Real de Santo António receberam 300 mil euros, em troca do favorecimento do empresário Carlos Matos, e lesaram o município em cerca de 1,4 milhões de euros.

Segundo suspeitam ainda os investigadores, aquele dinheiro terá sido entregue pelo deputado do PS, António Gameiro, que é suspeito de ter agido como intermediário de Carlos Matos e também foi alvo de várias buscas, sem que tenha chegado a ser detido.

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Segundo a TVI, os investigadores suspeitam que Conceição Cabrita pretendia encaminhar a parte do dinheiro que lhe cabia para um "saco azul" numa associação de beneficência. O dinheiro chegaria depois a um empresário do Algarve com quem aquela teria uma dívida.

O terreno em causa, avaliado em sete milhões de euros, esteve várias vezes em hasta pública, mas acabou por ser vendido por ajuste direto, pelo valor de 5,6 milhões, à empresa de Carlos Matos.

O despacho da venda foi assinado por Conceição Cabrita, a 3 de abril de 2020, um dia antes da abertura das propostas de compra. Mais tarde, a autarca terá acordado baixar o valor das taxas e compensações urbanísticas, em troca de 300 mil euros, um valor que iria dividir com dois dos suspeitos.

Na terça-feira, a PJ realizou cerca de duas dezenas de buscas domiciliárias, a escritórios de advogados, uma instituição bancária e na câmara de VRSA. Os inspetores apreenderam documentos e fizeram cópias dos discos rígidos de vários computadores.

No mesmo dia pediram o levantamento da imunidade parlamentar a António Gameiro, que disse estar de "consciência tranquila" e "disponível" para que seja levantada a imunidade e se possa "defender e colaborar com a Justiça".

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