Segurança

Quatro infetados entre 11 detidos em meio dia de restrições às viagens

Quatro infetados entre 11 detidos em meio dia de restrições às viagens

Ao terceiro de cinco dias de regras mais apertadas para quem quer andar na rua, soaram os alarmes na PSP.

Entre o final da tarde de anteontem e a hora de almoço de ontem, 11 detenções por desobediência foram efetuadas - mais de um quinto dos 50 casos que a PSP registou desde que o estado de emergência foi prorrogado, no dia 3. Quatro eram pessoas com Covid-19 que tinham sido mandadas ficar confinadas em casa e as restantes violaram o dever de recolhimento.

"A PSP encontra-se especialmente preocupada com as incidências das últimas 24 horas", referia, em comunicado, a Direção Nacional, à uma hora da tarde de ontem. Ressalvou porém que "menos de 5% dos condutores são detetados a circular por motivos sem enquadramento legal" e que, mesmo nestes casos, têm acatado as ordens para regressarem a casa.

A PSP e a GNR apertaram, a partir da meia-noite de quinta-feira e até às 23.59 horas de segunda-feira, abrangendo todo o período pascal, a fiscalização das restrições à circulação, em particular as deslocações entre concelhos, exceto para receber cuidados de saúde ou trabalhar. Até às 17 horas de ontem, foram detidas duas pessoas por violarem esta regra.

"Se não vendo, morremos"

Manuel Serra, 80 anos quase feitos, saiu de casa, na Figueira da Foz, de manhã cedo e ainda o relógio não marcava as 11.15 horas de ontem quando foi mandado parar, na sua velha pick-up, com alguns sacos de carvão na caixa de carga, na Rua de Dom António Castro Meireles, em Baguim do Monte, Gondomar, a quase 150 quilómetros. Um agente da PSP perguntou-lhe, cordialmente, para onde ia. Não sabia. "E de onde vem", questiona o polícia: "Figueira da Foz", responde.

"Vendo carvão. A minha mulher está doente e de quarentena. Só lhe marcaram o teste para o vírus no dia 28. Se não vendo alguma coisa, morremos os dois à fome", disse ao JN, voz embargada e sem saber como foi ali ter. "Vim sem destino. Vou parando aqui e ali para vender o carvão, pois está tudo fechado", diz, ingenuamente. Ao virar da esquina, há fila à porta de um hipermercado. Quanto à declaração que atesta estar a trabalhar, justifica: "A minha contabilista disse-me que eu podia" e mostra uma declaração das Finanças que apenas refere a atividade pela qual está coletado. "E não o mandaram parar ao longo do trajeto?", pergunta o agente. "Só na Figueira da Foz", responde. E foi para lá que foi recambiado.O posto da PSP está a funcionar 24 horas por dia e a maioria das pessoas obrigadas a inverter a marcha desconhece que Gondomar acaba já ali. "As fronteiras concelhias são difíceis de distinguir.

Compreendemos. Temos controlado uma média de 300 carros por dia e a esmagadora maioria são de trabalhadores", referiu um agente. Quem não ia ao engano era Joaquim Figueiredo, cujo televisor avariou. "Sou cliente de uma loja e sei que, mesmo ficando perto, já é Valongo. Ia lá comprar um aparelho e voltar para casa. Mas há que cumprir a lei", afirmou.

Noutra operação, da GNR, nos acessos à Trofa, só de manhã 58 condutores foram mandados para a sua área de residência, dado que "não tinham nenhuma justificação para entrar ou sair do concelho".

*Com Ana Correia Costa

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