Santa Maria da Feira

Trabalhadora que denunciou alegados abusos em corticeira foi despedida

Trabalhadora que denunciou alegados abusos em corticeira foi despedida

Foi, esta quinta-feira, formalmente despedida a funcionária que denunciou alegados "castigos" e "assédio moral" que estaria a ser alvo por parte da corticeira Fernando Couto-Cortiças, SA de Paços de Brandão, Feira. Cristina Tavares é acusada de ter difamado a empresa.

Esta decisão da corticeira surge depois de a trabalhadora ter sido temporariamente suspensa pela empresa para a realização do processo disciplinar com vista ao despedimento.

Na ocasião, foi alegado que Cristina Tavares denegriu a imagem da empresa em artigos que saíram na Imprensa, com as supostas declarações caluniosas.

Agora, na comunicação do despedimento, foram imputados a Cristina Tavares "comportamentos consubstanciadores da prática de um crime de difamação".

Em comunicado, a administração da corticeira Fernando Couto argumenta: "Procedemos ao despedimento de Cristina Tavares (...) por ter ficado provado que a trabalhadora divulgou um conjunto de factos que bem sabia serem falsos e caluniosos, e que puseram em causa o bom nome da empresa, causando danos incomensuráveis e irreparáveis".

Detalhes sobre essa alegada conduta são remetidos para mais tarde. "Como certamente a trabalhadora irá impugnar o despedimento judicialmente, deixamos a nossa defesa para o local próprio", informa a empresa de cortiça.

O Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte afirma que "a coragem da trabalhadora em intentar uma ação contra o despedimento de que foi alvo" e consequente reintegração, assim como "a coragem de recusar uma indemnização em detrimento da reintegração" e, "coragem de resistir a meses de práticas humilhantes e degradantes", "é considerado pela entidade patronal um crime".

"Não há limites legais, judiciais e éticos para esta entidade patronal", "quem não aceita ser esmagado e humilhado (...) é despedido com justa causa", diz o Sindicato que promoveu para o próximo sábado uma conferência de imprensa com a presença da trabalhadora e do secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos.

Em 26 de novembro de 2018, a Fernando Couto-Cortiças, SA foi notificada da decisão da Autoridade para as Condições do Trabalho da aplicação à empresa de uma coima superior a 31 mil euros, por assédio moral à trabalhadora.