Saúde

Doentes respiratórios ao frio na Urgência do hospital de Famalicão

Doentes respiratórios ao frio na Urgência do hospital de Famalicão

Os profissionais de saúde do Serviço de Urgência Médico Cirúrgica da unidade de Vila Nova de Famalicão do Centro Hospitalar do Médio Ave denunciaram a falta de condições na área dedicada a doentes respiratórios, criada devido à pandemia. Sem aquecimento suficiente para assegurar o bem-estar e conforto dos utentes, estes são mantidos em "condições desumanas", protegidos do frio com recurso a cobertores.

"Parece uma coisa de terceiro mundo", afirmou, ao JN, João Paulo Carvalho, Presidente da Secção Regional Norte Ordem dos Enfermeiros, dando conta de que a situação se agravou nos últimos dias, devido às baixas temperaturas que se têm feito sentir.

Esta falta de condições está a comprometer a assistência aos doentes, que são aquecidos com recurso a cobertores, que também se têm revelado escassos. "Mas também está a pôr em causa o desempenho dos profissionais que têm que vestir várias peças de roupa debaixo dos equipamentos de proteção para fazer face ao frio e estão também eles a ficar doentes", acrescentou.

Contudo, segundo João Paulo Carvalho, o frio não é o único problema do serviço e, há vários meses que vêm alertando o Conselho de Administração para a falta de enfermeiros na área respiratória, que está assegurada apenas por três profissionais. Sem o reforço dos enfermeiros, vários profissionais enviaram ao Conselho de Administração do hospital um documento no qual pedem escusa de responsabilidades.

"O Conselho de Administração do Hospital tem tentado negar a verdade e dizer que as coisas estão a funcionar, mas os problemas mantêm-se há vários meses", explicou.

Esta falta de resposta por parte do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Médio Ave, de Vila Nova de Famalicão levou os profissionais de enfermagem a convocar uma vigília silenciosa, que vai decorrer esta noite, pelas 21 horas, em frente ao hospital. Também o presidente da Secção Regional Norte Ordem dos Enfermeiros pediu uma reunião com caráter de urgência ao Hospital, que acontece esta manhã.

"Com estas imagens em que vemos os doentes ao frio e depois de termos conhecimento desta vigília, tínhamos de intervir o mais rapidamente possível para identificar problemas e encontrar soluções. Se o Conselho de Administração não reconhece os problemas, se calhar, vai ter que ser alguém com poder superior a fazer alguma coisa", rematou João Paulo Carvalho.

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O JN tentou, sem sucesso, ouvir a administração daquele hospital.

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