Famalicão

Os 31 utentes de lar com três funcionários vão para o hospital militar do Porto

Os 31 utentes de lar com três funcionários vão para o hospital militar do Porto

Um lar em Cavalões, Famalicão, tem três pessoas a cuidar de 31 idosos, depois de "7 ou 8 funcionárias terem testado positivo" à Covid-19 e as restantes estarem de quarentena.

"Estamos a viver aqui, somos três para 31 idosos, e não sabemos quanto tempo vamos continuar, nem se contraímos o vírus", afirmou Alexandra Vieira, diretora técnica da Residência Pratinha. Ela - que está grávida - a proprietária e uma enfermeira têm assegurado os cuidados a todos os utentes. "Estamos aqui 34 pessoas todas em risco porque não fizemos testes e não sabemos se contraímos o vírus", afirmou.

Segundo Alexandra Vieira, o contacto com a delegada de saúde de Famalicão é permanente, contudo não tem sido possível uma solução. Acrescenta que a solução poderia passar por colocar no lar uma equipa de profissionais que pudesse assegurar as necessidades ou transferir os idosos para um local onde pudessem ser cuidados.

Utentes transferido para o hospital militar do Porto

Os 31 utentes da Casa Pratinha vão ser transferidos para o hospital militar do Porto, onde vão permanecer durante a quarentena.

Segundo Teresa Pedrosa, proprietária da instituição a solução foi encontrada pela Segurança Social, autoridades de saúde e Câmara Municipal de Famalicão sendo que a transferência deverá ocorrer durante as próximas horas. A operação está a ser coordenada pelo comandante operacional de operações e socorro de Braga.

As três cuidadoras que ainda permaneciam no lar deverão regressar a casa onde ficarão de quarentena, e a aguardar os resultados dos testes à Covid-19.

Uma família foi, no sábado, ao lar buscar um dos idosos na condição de o manter em isolamento profilático. Contudo, acrescenta, nem todos têm essa possibilidade, porque não têm condições e alguns não têm retaguarda familiar.

Temos recebido mensagens de apoio e solidariedade e muitos voluntários a oferecerem-se para ajudar mas além das autoridades de saúde não permitirem "seria empurrar o problema com a barriga". Para já, a alimentação está a ser confecionada numa outra instituição e é transportada pela Câmara de Famalicão.

"Ninguém resolve nada, é tudo para amanhã", desabafa Alexandra Vieira. "Não estamos a criticar ninguém mas sentimo-nos desamparadas", diz. "Não aguento mais", confessa a diretora técnica, notando que além do cansaço físico há uma grande cansaço psicológico.

Contada pelo JN, a delegada de saúde de Famalicão não prestou declarações e remeteu esclarecimentos para a Direção-Geral da Saúde (DGS). "É à DGS a quem cabe reportar a situação", afirmou.

Entretanto, fonte da Câmara de Famalicão adiantou estar disponível para ajudar no que está ao seu alcance notando que foi informada da situação no sábado de manhã. Acrescentou que está a acompanhar a situação mas referiu que o caso está entregue às autoridades de saúde.

A DGS solicitou que fossem pedidos esclarecimentos à ARS Norte.

ARS garante que foram desencadeados "procedimentos preconizados

A Administração Regional de Saúde do Norte (ARS -N) diz ter desenvolvido os "procedimentos preconizados" nas orientações técnicas nacionais e regionais, o âmbito da intervenção para prevenção e controlo da Pandemia de Covid-19., no caso da Residência Pratinha, situada em Cavalões, Famalicão.

Em comunicado, a ARS Norte refere que foi determinado o "isolamento profilático e vigilância ativa de todos os utentes e profissionais da instituição, enquanto contactos próximos de casos identificados", entre outras medidas. Por isso, acrescenta, foi estabelecida articulação com a Câmara de Famalicão e o diretor do Centro Distrital da Segurança Social de Braga, "no sentido de assegurar os cuidados aos utentes".

!A Autoridade de Saúde Regional do Norte e as Autoridades de Saúde Locais continuarão atentas à evolução desta situação e a desenvolver as medidas consideradas necessárias, no âmbito das suas competências", conclui o comunicado.

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