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Ordem dos Médicos avalia falhas clínicas no Alentejo

Ordem dos Médicos avalia falhas clínicas no Alentejo

Pavilhão de doentes não tem diretor clínico e terá tido falta de fármacos até sexta-feira. Familiares de utentes de lar aconselhados a recorrer à Justiça.

A Ordem dos Médicos (OM) vai criar uma comissão de inquérito para fazer uma avaliação clínica dos procedimentos adotados em Reguengos de Monsaraz, concelho alentejano onde um surto num lar, detetado a 18 de junho, provocou até agora 16 mortos. E alerta os familiares dos doentes para agirem judicialmente, caso as normas da Direção-Geral da Saúde (DGS) continuem a ser desrespeitadas, pondo em causa a saúde dos doentes. A ARS do Alentejo garante que está a fazer "o possível" para garantir os cuidados necessários.

Em causa está a alegada não transferência dos idosos do lar Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS) para uma Área Dedicada à Covid - Serviço de Urgência, a fim de serem "devidamente" triados e encaminhados para casa ou internamento, consoante o estado de saúde e como mandam as regras da DGS, bem como a utilização de um pavilhão "sem diretor clínico", onde as camas "não cumprem as distâncias de segurança" e faltaram medicamentos pelo menos até sexta-feira, afirmou, ao JN, o bastonário da Ordem dos Médicos.

Queixa formal ao MP

Os relatos que chegaram à OM, de especialistas que estiveram no local, são de "extrema gravidade", realçou Miguel Guimarães. Num comunicado à Imprensa, assinado pelo bastonário, pelo presidente do Conselho Regional do Sul e pelos presidentes das quatro sub-regiões do Sul, a Ordem dos Médicos diz que "o caso merece uma participação formal dos factos ao Ministério Público (que, de resto, já está no terreno), o que irá acontecer, para que este apure da eventual responsabilidade criminal em face do relato feito pelos médicos que prestaram serviço no Lar da FMIVPS ou pavilhão para onde foram transferidos os utentes infetados do lar".

Refira-se que o Ministério Público confirmou, no passado dia 9, que "está a proceder a averiguações" sobre o surto de covid-19 que surgiu num lar em Reguengos de Monsaraz. No mesmo comunicado, a Ordem pede à autoridade nacional de saúde (DGS) para verificar se as regras estão a ser cumpridas e pede à ministra Marta Temido para defender o direito constitucional à saúde. Interpela ainda a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social sobre as condições de segurança do lar e o respetivo cumprimento da legislação.

ARS saúda avaliação

Em reação a Administração Regional de Saúde do Alentejo assegurou, em comunicado, que está a fazer "o possível" para garantir os cuidados considerados necessários na defesa dos doentes infetados" no lar de Reguengos de Monsaraz.

Sobre a comissão de inquérito criada pela Ordem dos Médicos, o presidente da ARS, José Robalo, afirmou, em declarações à Antena 1, que "qualquer avaliação técnica é excelente para tirar dúvidas sobre os procedimentos". O responsável acrescentou que o pavilhão "foi preparado para receber as pessoas com todas as condições".

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