Património

Obras em escadaria do Mosteiro de Alcobaça geram polémica

Obras em escadaria do Mosteiro de Alcobaça geram polémica

A Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) esclarece que a intervenção que está a ser feita numa escadaria do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, "muito danificada pelo tempo e pelo uso", se enquadra no Plano Diretor aprovado para o monumento, classificado como Património Mundial da UNESCO, em 1989. O uso de argamassa nas obras criou "alarme social".

Face às deformações dos degraus, que colocam em risco a utilização da escadaria em segurança, a DGPC explica que a equipa projetista optou por revestir os degraus com uma chapa de aço, com um filme de borracha expandida no interior.

"Uma vez que a chapa de aço corten não pode ser colocada diretamente sobre uma pedra instável, sem causar danos e de forma segura para o utilizador, a superfície dos degraus foi regularizada com recurso a uma argamassa de cal e areia separada da pedra por uma manta de fibra geotêxtil, o que permite que possa ser removida em qualquer altura", refere em comunicado.

O presidente da Câmara de Alcobaça, Paulo Inácio, diz que a utilização de argamassa nos degraus gerou um "alarme social", mas garante que este tipo de intervenção foi realizado noutros monumentos, como o Castelo de S. Jorge, em Lisboa. "Não sou técnico, pelo que tenho de acreditar que a DGPC sabe o que está a fazer", afirma.

"Não vou discutir com um chef com duas estrelas Michelin como é que se faz puré de batata com salmão", observa o autarca de Alcobaça, que ainda hoje se deslocou ao local para ver a obra. "Os técnicos de conservação garantiram-me que estão a ser respeitadas todas as normas", sublinha. "Era preciso reforçar os degraus porque a ala norte vai ter mais utilização no futuro. Segundo o Plano Diretor, é para ali que vão ser direcionados os turistas", revela.

A DGPC refere ainda que "ao longo destes dois lances de chapa de aço corten, que dão acesso ao varandim da fachada do Mosteiro, e consequentemente à Nova Portaria e à Igreja, será também instalado um corrimão, permitindo a circulação segura de fiéis e visitantes". Com conclusão prevista para julho, as obras de conservação e restauro incluem o tratamento da pedra da fachada da Igreja, a reparação e a pintura de rebocos, caixilharias e gradeamentos e a melhoria das condições de acesso à nova Portaria-Bilheteira.

O valor do investimento previsto na conservação e no restauro da fachada poente e da fachada norte rebocada é superior a 714 mil euros. Já na primeira fase das obras, que consistiu na requalificação da portaria conventual e na loja, o montante aplicado foi de 330 mil euros. Esta intervenção ficou concluída a 31 de dezembro. A DGPC revela ainda ao JN que têm decorrido obras de conservação e restauro no Mosteiro de Alcobaça nos últimos anos, entre as quais a intervenção no túmulo de D. Pedro, em 2020, no valor total de 20.910 euros.

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