Sintra

Vizinhos em choque com morte de criança que caiu de nono andar

Vizinhos em choque com morte de criança que caiu de nono andar

Uma criança de seis anos caiu na segunda-feira, pelas 19 horas, do nono andar de um prédio na Tapada das Mercês, em Sintra. Na vizinhança o ambiente é de "choque" e "consternação".

"Ouvimos um barulho que parecia um saco de cimento a cair em cima dos carros. Num prédio ao lado do meu, um vizinho que estava na varanda viu e começou a pedir ajuda. Todos gritavam, mas ninguém se mexia e sai de casa a correr e nem queria acreditar no que vi, nunca vou esquecer", conta Anabela Pinto, vizinha do prédio em frente, a primeira a ver a criança no chão e a chamar os bombeiros.

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A vizinha percebeu que o rapaz teria caído de uma varanda, mas das janelas e varandas do prédio não viu ninguém. "Era difícil perceber de onde tinha caído porque não se via ninguém nas varandas. Liguei para uma moradora daquele prédio e pedi para reconhecer a criança, mas ela também não o identificou. A mãe já chegou mais tarde e só aí percebemos quem era, porque deu pela falta do filho. Assim que soube desfaleceu logo no chão, foi horrível", descreve a moradora.

O menino estava acompanhado dos irmãos de seis e nove anos. No momento da queda, a mãe e o companheiro, que não era pai de nenhuma das três crianças, ter-se-iam ausentado para efetuar compras no supermercado Pingo Doce, a poucos metros da habitação.

Quando os bombeiros chegaram, a criança já estava em paragem cardiorrespiratória. Foram efetuadas manobras de reanimação no local e durante o transporte até ao Hospital Santa Maria, em Lisboa, mas o óbito acabaria por ser declarado no hospital, de acordo com o comandante dos bombeiros de Algueirão Mem-Martins, Joaquim Leonardo.

Não é a primeira vez que uma criança cai de um prédio na Tapada das Mercês. "O ano passado caiu um miúdo, de cinco anos. Sobreviveu, mas ficou tetraplégico. É uma vergonha, os pais têm de trabalhar e não têm onde deixar os filhos, é a dura realidade. O Pingo Doce é mesmo aqui ao lado, às vezes também deixo o meu filho em casa, mas tem 11 anos. Agora, já estou com vontade de ir para casa, preocupada com isto", confessa Felicidade Pires, moradora na Tapada das Mercês.

Ana Isabel, funcionária da mercearia Pé de Lima, ao lado do prédio, conhecia Eugénia, a mãe, e os filhos, que frequentavam com regularidade o seu estabelecimento. "Custa-me acreditar no que aconteceu, parecia uma família normal e estavam sempre felizes. Não acredito que tenha sido por desleixo. O que acho mais estranho é o miúdo ter caído e a irmã, de 9 anos, com quem estava, não ter reagido, não ter chamado ninguém ou gritado, mas também pode ter sido do choque", especula.

O Comando Metropolitano de Lisboa da PSP confirmou ao JN que as três crianças estavam sozinhas em casa e que a mãe ter-se-ia ausentado, não confirmando para onde. As irmãs do menino que acabou por falecer, de nove e seis anos, foram na segunda-feira sinalizadas pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ), acrescentou.

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