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"Não me sinto culpado de nada", diz primeiro doente curado do coronavírus em Portugal

"Não me sinto culpado de nada", diz primeiro doente curado do coronavírus em Portugal

Casimiro Sousa, de Lousada, é o primeiro paciente recuperado de COVID-19 em Portugal. "Diziam que o mais preocupante era a febre e nunca tive febre."

"Alguns pensam que eu não tive cuidado e fui o causador disto tudo. Não me sinto culpado de nada. O que as pessoas dizem não me importa". O desabafo é de Casimiro Sousa, o primeiro doente curado de Covid-19 em Portugal.

O homem de 50 anos terá sido quem infetou vários familiares e funcionários da empresa em que trabalhava, gerando o primeiro grande foco da infeção no país, em Lousada e Felgueiras.

Depois de uma semana internado no Hospital de São João, no Porto, foi dado como curado, depois de dois testes negativos, regressou a casa, em Nogueira, Lousada, onde se manterá em isolamento nos próximos dias.

Foi a 19 e 20 de fevereiro, que o funcionário da Fego Fla, empresa de Santo Estevão de Barrosas, Lustosa, cuja produção está parada desde que o caso foi confirmado positivo, esteve em Milão, numa feira do setor do calçado, com o filho do patrão.

"Ouvia-se da falar do problema na China. Aquela feira até foi mais fraca porque os chineses não vieram. Não nos preocupamos muito, nem nós nem os outras dezenas de portugueses como nós que lá estavam", relata. Voltaram para casa "tranquilos e sem sintomas". Os primeiros vieram dias depois e, no início, nem os relacionou com a agora pandemia. "Para mim nunca eram sintomas de vírus. Achei que era só uma gripe. Diziam que o mais preocupante era a febre e nunca tive febre. Apenas uma irritação na garganta e dores no corpo", diz Casimiro Sousa.

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Foi à urgência de um hospital privado de Lousada e foi medicado. Dois dias depois, com uma dor torácica, procurou novamente apoio numa clínica de Felgueiras. "Aí já disse que tinha estado em Itália. O médico desconfiou e pôs-me logo em isolamento. Depois mandou-me para o Hospital de São João, no meu carro", conta o lousadense. Era o dia 4 de março. Foi de máscara e dirigiu-se às urgências onde tirou senha e aguardou pela sua vez num canto. Depois de fazer as análises mandaram-no para casa. Só por volta das quatro da manhã lhe ligaram a dizer que os testes deram positivo e que o INEM iria buscá-lo.

"Fiquei preocupado, mas nunca achei que tivesse infetado ninguém. Quando tenho gripe resguardo-me e tenho sempre cuidado e foi o que fiz desta vez", garante Casimiro Sousa. Nem a mulher nem as filhas, de 13 e 26 anos, têm para já sintomas.

Indiciado como fonte de contáfio no local de trabalho e na família

Mas o homem é indicado como tendo contagiado várias pessoas na fábrica em que trabalha e elementos da família, como a sogra e no cunhado, ainda hospitalizados. "O caso mais preocupante é o da minha sogra de 75 anos, mas ela está bem", adianta. "Ninguém me pode culpar, nem eu posso culpar ninguém por ter apanhado este vírus", diz.

Casimiro esteve uma semana internado no Hospital de São João, primeiro num quarto em isolamento, durante dois dias, onde lhe era medida a tensão e a febre com regularidade, assim como avaliado o sistema respiratório. "Medicamentos, só tomei dois dias, para a febre e dor de cabeça", descreve. A partir do terceiro dia, partilhou o quarto com o cunhado e outro funcionário da empresa que também se apresentavam estáveis. "Sempre se passava melhor os dias. Íamos acompanhando as notícias e vendo que havia cada vez mais infetados", assume.

Depois de ter dois testes negativos no espaço de 48 horas, sem sintomas, teve alta na quinta-feira. "Fiquei feliz em vir para casa e tomando-se precauções não há que ter receio", acredita Casimiro Sousa, que dorme sozinho, usa uma casa de banho à parte, almoça e janta no quarto, se protege com máscara e lava e desinfeta frequentemente as mãos. Mantém ainda distanciamento aos outros elementos da família. "Sigo as recomendações do hospital e estou tranquilo", diz.

O funcionário conta voltar ao trabalho em breve, já que a empresa tem previsto o regresso à laboração no dia 20 de março. "Se tivermos medo vamos ficar toda a vida em casa e não pode ser", conclui.

Há 10 pessoas nos cuidados intensivos em Portugal

Segundo o balanço diário da Direção-Geral de Saúde, divulgado este sábado de manhã, estão confirmados 169 casos positivos de Covid-19 em Portugal, mais 57 do que os 112 registados na sexta-feira.

Dos 169 casos positivos, há 114 pessoas internadas, 10 das quais nos cuidados intensivos. O boletim regista mais um doente recuperado. Contas feitas, 45 não precisam de cuidados hospitalares e recuperam em casa.

De acordo com o documento, há 126 pacientes a aguardar resultado laboratorial e 5011 contactos em vigilância pelas autoridades de saúde, menos 663 do que na sexta-feira.

A doença Covid-19, provocada pelo novo coronavírus, foi classificada como pandemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS) na quarta-feira. Em todo o mundo já foram infetadas mais de 143 mil pessoas e morreram mais de 5500.

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